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O que o PR anunciou é a pior saída política

João Semedo afirma que a decisão de Cavaco Silva de manter um governo incapaz, desastrado e condenado ao insucesso apenas se justifica pela vontade de proteger os partidos que o elegeram, e insiste que um governo sem legitimidade é um governo que merece e justifica ser demitido. Sublinha ainda a gravidade de ser o PR a anunciar que o governo vai apresentar uma moção de confiança.
“Um governo sem legitimidade é um governo que merece e justifica ser demitido”, sublinhou Semedo. Foto de Paulete Matos

“Hoje Cavaco Silva saiu do labirinto, que ele próprio criou, pela pior saída, protegendo os partidos que o elegeram, o PSD e o CDS, e mantendo um governo incapaz, desastrado, condenado ao insucesso pelos resultados que deram ao país a política que durante dois anos foi aplicada”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda.

O deputado do Bloco acusou Cavaco Silva de ter estado “mais preocupado durante toda a crise política em proteger os partidos que o elegeram e em salvar o governo de coligação e a política de austeridade”.

E recordou: “Se há três semanas os ministros desconfiavam uns dos outros, diziam mal uns dos outros, não se compreende como é que três semanas depois, sem nada se alterar, vai acabar a instabilidade política. Se há três semanas a política de austeridade era reconhecida como um fator de conflito social, de colapso de economia e de um crescimento brutal do desemprego, não se compreende como é que a insistência na mesma política pode ter um resultado diferente, que não seja mais colapso da economia e mais calamidade social”.

Para os bloquistas, o que o Presidente da República anunciou é a pior saída política. “Um governo sem legitimidade é um governo que merece e justifica ser demitido”, sublinhou Semedo, que insistiu que “a demissão do governo deveria dar origem a eleições antecipadas, para que os portugueses livremente pudessem escolher um outro caminho para o país”, sublinhando que só um governo legitimado por eleições poderia ter força para renegociar a dívida com os credores para que o país possa voltar a crescer.

Moção de confiança

O coordenador do BE sublinhou ainda "a gravidade de ser o Presidente da República a anunciar que os partidos que hoje governam apresentarão na Assembleia da República uma moção de confiança".

"Não me recordo de um momento tão confuso como este, no que diz respeito à independência entre os órgãos de soberania", afirmou João Semedo, concluindo, referindo-se à intervenção de Cavaco Silva, que "o que começa torto tarde ou nunca se endireita".

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