No debate sobre a moção de censura proposta pelo Chega, o primeiro-ministro deu algumas explicações sobre a empresa que detém na sua órbita familiar, recusando-se a identificar os clientes por razões de “sigilo comercial”.
Na sua intervenção, Mariana Mortágua referiu-se aos sucessivos casos de potenciais conflitos de interesses no seio do Governo, afirmando que “o Primeiro-Ministro não deve convidar para o Governo um autarca com quem fez ajustes diretos, o secretário de Estado do Ordenamento do Território não deve abrir empresas imobiliárias enquanto faz uma lei sobre utilização de solos, o Presidente da Câmara de São João da Madeira não deve fazer ajustes diretos ao seu próprio sócio, e o ministro que foi Presidente da Câmara de São João da Madeira não deve manter uma imobiliária com esse sócio enquanto faz uma lei sobre utilização de solos”.
Caso da imobiliária do ministro mostra que a lei dos solos “está ferida de morte”
“O que diria o PSD da oposição sobre o comportamento deste PSD no Governo? Todos sabemos o que diria”, prosseguiu Mariana Mortágua, lembrando que “nós avisámos que a lei dos solos era uma porta aberta à especulação” e é “uma lei errada e ferida de morte à nascença” por ter sido feita “por um ministro e um secretário de Estado que tinham imobiliárias”.
A coordenadora bloquista acusou ainda o Governo de olhar para o problema da habitação “do ponto de vista de um promotor imobiliário” quando a habitação e a especulação “são interesses em conflito”.
Sobre o partido proponente da moção de censura, Mariana Mortágua lembrou que o Chega “viabilizou a lei dos solos de Hernâni Dias, Castro Almeida e Luís Montenegro”, que abre caminho “à corrupção, à especulação e aos conflitos de interesses”, adiando em seguida a votação que a pode revogar.
“Diga a verdade, Sr. deputado André Ventura. Olhe os portugueses nos olhos, e peça desculpa por agendar uma moção de censura para tapar as vergonhas da sua bancada” e por ter votado “para manter em vigor a lei de todos os conflitos de interesses”, prosseguiu Mariana Mortágua, acusando também o Chega de ser “financiado pelo setor imobiliário” e de ter na sua bancada “deputados com imobiliárias iguais às do ministro e do secretário de Estado”, sem terem pedido escusa das votações da lei dos solos por potenciais conflitos de interesses.