Moção de censura

“O que diria o PSD da oposição ao PSD do Governo?”

21 de fevereiro 2025 - 17:36

No debate da moção de censura proposta pelo Chega, Mariana Mortágua acusou Ventura de querer “tapar as vergonhas da sua bancada” e criticou o Governo por ver a habitação “do ponto de vista de um promotor imobiliário”.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua no debate da moção de censura. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

No debate sobre a moção de censura proposta pelo Chega, o primeiro-ministro deu algumas explicações sobre a empresa que detém na sua órbita familiar, recusando-se a identificar os clientes por razões de “sigilo comercial”.

Na sua intervenção, Mariana Mortágua referiu-se aos sucessivos casos de potenciais conflitos de interesses no seio do Governo, afirmando que “o Primeiro-Ministro não deve convidar para o Governo um autarca com quem fez ajustes diretos, o secretário de Estado do Ordenamento do Território não deve abrir empresas imobiliárias enquanto faz uma lei sobre utilização de solos, o Presidente da Câmara de São João da Madeira não deve fazer ajustes diretos ao seu próprio sócio, e o ministro que foi Presidente da Câmara de São João da Madeira não deve manter uma imobiliária com esse sócio enquanto faz uma lei sobre utilização de solos”.

“O que diria o PSD da oposição sobre o comportamento deste PSD no Governo? Todos sabemos o que diria”, prosseguiu Mariana Mortágua, lembrando que “nós avisámos que a lei dos solos era uma porta aberta à especulação” e é “uma lei errada e ferida de morte à nascença” por ter sido feita “por um ministro e um secretário de Estado que tinham imobiliárias”.

A coordenadora bloquista acusou ainda o Governo de olhar para o problema da habitação “do ponto de vista de um promotor imobiliário” quando a habitação e a especulação “são interesses em conflito”.

Sobre o partido proponente da moção de censura, Mariana Mortágua  lembrou que o Chega “viabilizou a lei dos solos de Hernâni Dias, Castro Almeida e Luís Montenegro”, que abre caminho “à corrupção, à especulação e aos conflitos de interesses”, adiando em seguida a votação que a pode revogar.

“Diga a verdade, Sr. deputado André Ventura. Olhe os portugueses nos olhos, e peça desculpa por agendar uma moção de censura para tapar as vergonhas da sua bancada” e por ter votado “para manter em vigor a lei de todos os conflitos de interesses”, prosseguiu Mariana Mortágua, acusando também o Chega de ser “financiado pelo setor imobiliário” e de ter na sua bancada “deputados com imobiliárias iguais às do ministro e do secretário de Estado”, sem terem pedido escusa das votações da lei dos solos por potenciais conflitos de interesses.