A associação ambientalista francesa Agir pour L’Environnement analisou pinheiros vendidos como árvores de Natal e chegou à conclusão de que 85% estavam contaminados com pesticidas. A investigação tomou como amostra 13 árvores compradas anonimamente em 13 diferentes pontos de venda e descobriu que 11 delas estavam contaminadas, tendo essa contaminação ocorrido não após o corte mas durante a sua cultura.
As análises, da responsabilidade de um laboratório independente, identificaram a presença de 13 pesticidas diferentes, “alguns dos quais entre os mais tóxicos do mercado” e cancerígenos como glifosato, propizamida, fludioxonil, prosulfocarb ou teflutrina. Entre os pinheiros em que se detetaram pesticidas, vários continham menções a uma “cultura respeitadora do ambiente”. Os dois pinheiros que não tinham presença de quaisquer pesticidas tinham o rótulo “bio”.
Os ambientalistas denunciam que por detrás da imagem idílica do pinheiro que “cresce naturalmente na floresta se esconde de facto uma monocultura intensiva praticada em plenos campos por cerca de 800 agricultores em 5.000 hectares em França”. Alertam ainda que estas árvores “podem receber até dez tratamentos fitossanitários por ano, sabendo-se que a maioria dos pinheiros vendidos foram cultivados durante seis a dez anos. Este cocktail químico de fungicidas, inseticidas e herbicidas vai poluir duradouramente o ar, a água, os lençóis freáticos e mais geralmente a biodiversidade, tendo impacto tanto na fauna e na flora como na saúde humana”.
Por estas razões, a Agir pour L’Environnement recomenda que o Estado francês invista na conversão ecológica destas plantações, que a Agência Nacional de Segurança Sanitária faça um estudo para calcular o impacto dos pinheiros contaminados nas habitações, que se estabeleça uma etiquetagem obrigatória que possibilite a verificação da origem e do modo de produção dos pinheiros, combatendo a fraude nas designações de “cultura respeitadora do ambiente” e que os revendedores apresentem sistematicamente uma alternativa biológica aos consumidores.
O mercado e o pinheiro de Natal
Em declarações ao Mediapart, o coordenador deste estudo, Mathias Chaplain, insiste na ideia de que as árvores de Natal são “um verdadeiro cocktail de pesticidas” e garante que a sua associação “não quer matar o magia do Natal com este estudo, são os pesticidas que a matam”.
E Marie-Anne Guillemain, co-presidente da associação Adret que luta que tem alertado para os risco da cultura do pinheiro de Natal no parque natural de Bourgogne-Franche-Comté, acrescenta a ideia de que “o mercado exige que os pinheiros vendidos estejam bem direitos e com uma bela ponta, o que explica esta quantidade de produtos lançados nestas culturas”.
E são também as leis do mercado que fazem a diferença em termos de exposição aos pesticidas, explica: “os pinheiros são mais tratados com herbicidas no início da sua vida, para evitar que os rebentos asfixiem. Ora, os mais baratos são os mais pequenos, ou seja os mais jovens. São assim os lares mais precários que ficam mais expostos a esta infestação de pesticidas”.
É ainda o mercado que faz com que as culturas biológicas não prosperem, defende: a cultura bio “é pouco lucrativa e o bio impõe uma mondadura mecânica que representa muito tempo e dinheiro para os profissionais que já são mal pagos. Assim, alguns simplesmente não têm escolha e utilizam pesticidas”.