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"O Pavilhão é do Porto e Rosa Mota é o seu nome"

A atleta contesta a forma como a Câmara do Porto colocou o nome de uma marca de cervejas no pavilhão batizado com o seu. Bloco de Esquerda defende a reversão "desta apropriação indevida".
Pavilhão Rosa Mota em 2006.
Pavilhão Rosa Mota em 2006. Foto de José Gonçalves. Wikipedia.

Rosa Mota sente-se “enganada” pela forma como foi tratada pela Câmara Municipal do Porto. Em causa está o factor desta ter acrescentado o nome de uma marca de cervejas ao nome icónico do Pavilhão Rosa Mota.

O pavilhão foi alvo de obras de restauro que foram patrocinadas pela Super Bock. Em contrapartida, a CMP passou a designar o pavilhão como “Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota”.

Rosa Mota não gostou e enviou uma carta de protesto à autarquia queixando-se do seu nome ser subalternizado face ao da marca. Esta carta é citada esta segunda-feira pela TSF. Nela se pode ler “quando recebi o convite do senhor presidente da Câmara para a reabertura do Pavilhão, e no qual está escrito "Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota" senti-me definitiva e claramente enganada”. A campeã olímpica diz que estava convicta de que o nome iria ser “Pavilhão Rosa Mota - Super Bock Arena”.

Por isso, a atleta afirma que não vai estar presente na cerimónia de reabertura deste pavilhão e comunicou aos vereadores que não dá a sua anuência “a algo que parece estar definitivamente estabelecido e que não foi o que foi acordado”.

A autarquia defende-se dizendo que o nome de Rosa Mota vai, depois das obras, constar pela primeira vez na entrada principal de um pavilhão renovado para ser centro de congressos e pavilhão “multiusos”. Na versão da CMP, a atleta concordou e congratulou-se com isto.

“O Porto não está à venda”

O deputado bloquista eleito pelo círculo do Porto José Soeiro reagiu à polémica na sua página de facebook. Num texto intitulado “nem toda a gente está à venda”, começa por recordar que o orçamento apresentado por Rui Moreira tem como objetivo “ter um excedente de 14 milhões”, “quase o dobro dos 8 milhões que custou a obra de requalificação do Pavilhão Rosa Mota”. Assim, “havia dinheiro de sobra para ser a autarquia a recuperar aquele equipamento, sem concessioná-lo a privados”.

Segundo José Soeiro “outros apetites se sobrepuseram” e “pior ainda: o concessionário também quis ganhar dinheiro com um patrocinador”. Face a uma requalificação que custou 8 milhões de euros, a marca de cervejas desembolsou 20 milhões para “abarbatar o nome do Pavilhão e desqualificar simbolicamente a figura que a cidade escolheu para o nomear”, denuncia.

O dirigente bloquista conclui que “o Porto, que alguns gostariam de tornar numa marca comercial, não está à venda” e que a tomada de posição de Rosa Mota é “uma lição de dignidade”.

Bloco/Porto quer reverter apropriação e renegociar contrato

Em comunicado, a concelhia bloquista do Porto lembrou que se opôs à entrega do pavilhão a privados, ainda no mandato de Rui Rio à frente da autarquia, repetindo essa posição no mandato de Rui Moreira quando se discutiu a reabilitação daquele equipamento municipal emblemático do Porto.

"Os sucessivos orçamentos apresentados pelo executivo camarário vieram a dar razão ao Bloco de Esquerda: seria possível avançar com uma reabilitação e gestão inteiramente pública e municipal deste equipamento, fazendo ainda reverter as receitas geradas a favor da cidade", refere a concelhia do Bloco.

O Bloco acusa Rui Moreira de não salvaguardar os interesses da cidade, dado que "não só o Pavilhão Rosa Mota ficará alheado da gestão pública durante 20 anos, como até a sua toponímia ficou subalternizada aos interesses privados e do negócio".

Sublinhando que "Rosa Mota é uma figura marcante do desporto nacional e um símbolo de empenhamento e esforço que tanto diz à cidade do Porto", o Bloco quer reverter a decisão da mudança de nome do Pavilhão e aproveitar o momento para abrir o debate à cidade de forma a permitir "a renegociação do contrato e seu regresso à esfera pública e municipal".

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