“O país que estima a democracia sabe que tem uma dívida irresgatável para com António Arnaut”

29 de maio 2014 - 15:14

António Arnaut foi distinguido com o grau 'honoris causa' pela Universidade de Coimbra. No elogio, José Manuel Pureza declarou que António Arnaut é um “homem de combates firmes e verticais guiados pela utopia da humanidade plena”.

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No elogio de António Arnaut, José Manuel Pureza afirmou que o SNS “prestigia Portugal por constituir um lugar de democracia densa, que convoca à responsabilidade comum e diferenciada de todos por todos e em que todos são acolhidos como iguais”

Segundo a agência Lusa, António Arnaut afirmou, antes de receber as insígnias doutorais: "Creio que foi esta rebeldia e também a minha intervenção cívico-social -- para ajudar, embora modestamente, a construir uma sociedade mais livre, justa e solidária - que justificaram a alta distinção que me vai ser conferida".

Considerando que o seu papel na criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “deve ter pesado na decisão do Senado universitário de lhe conceder o grau de doutor pela Faculdade de Economia, António Arnaut disse que o SNS é uma "trave mestra do Estado Social" e salientou:

"É meu dever recordar intimamente todos os que ajudaram a concretizar essa grande reforma de Abril e os que têm lutado para não deixar apagar a luz de esperança que então se acendeu e que ainda bruxuleia no horizonte nublado de Portugal".

O novo doutor 'honoris causa' teve como apresentante Constantino Sakellarides, professor da Escola Nacional de Saúde Pública, e o seu elogio coube a José Manuel Pureza, catedrático da Faculdade de Economia.

Pureza afirmou: “António Arnaut, pai da utopia feita história que é o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da interpelação democrática radical nele presente, sabe que só a poesia nos serve de fala na busca desses horizontes totalmente outros que nos servirão de bússola”.

O catedrático de Economia considerou que “é na vida inteira de António Arnaut que a Universidade hoje se louva” e, salientando a “abertura e firmeza, tolerância e convicção” do homenageado, afirmou: “Uma combinação sábia de que os tempos que vivemos assinalam como carência funda, diante dos assustadores escombros de uma Europa que, às mãos de uma lógica de desastre habilmente induzido, desiste de ser um projeto de paz feito de um arrojado pacto entre capital e trabalho em que era conferido um papel crucial aos direitos sociais e aos serviços públicos”.

José Manuel Pureza apontou também que, neste tempo, “é irrecusável a exigência de um pensamento e de uma ação política que se guie pelo realismo da esperança e faça da coesão justa e da regra legítima os seus guias” e defendeu que o SNS “é a pedra angular dessa arrumação do Estado a pensar na dignidade e na voz efetiva de todos e todas”.

Pureza sublinhou ainda que o SNS “prestigia Portugal por constituir um lugar de democracia densa, que convoca à responsabilidade comum e diferenciada de todos por todos e em que todos são acolhidos como iguais” e realçou que “o país que estima a democracia sabe que tem uma dívida irresgatável” para com António Arnaut.