“O Governo continua em estado de negação” no balanço da resposta à tempestade

11 de fevereiro 2026 - 13:47

Fabian Figueiredo espera que nas próximas horas “o comando político esteja concentrado ao máximo nível”, ao contrário do que aconteceu há duas semanas. E respondeu aos ataques do ex-líder da IL, acusando os liberais de estarem ausentes na resposta à catástrofe.

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Fabian Figueiredo
Fabian Figueiredo. Foto de Manuel de Almeida/Lusa

O deputado bloquista Fabian Figueiredo falou aos jornalistas no final d conferência de líderes que adiou o debate quinzenal com o primeiro-ministro previsto para esta quarta-feira. O Bloco de Esquerda não se opôs ao adiamento por considerar que Luís Montenegro, que agora acumula a pasta da Administração Interna após a demissão de Maria Lúcia Amaral, deve estar presente no terreno face à gravidade da situação no rio Mondego.

Desta vez, prosseguiu o deputado do Bloco, todo o país espera que a Proteção Civil “tenha toda a capacidade instalada para garantir que nada falha no socorro, no resgate e na segurança das populações”.

“Estaremos sempre do lado daqueles que exigirão que o Estado esteja presente e que o comando político esteja concentrado ao máximo nível”, afirmou Fabian Figueiredo, acrescentando que “foi o contrário do que aconteceu na tempestade Kristin”.

E a presença de Leitão Amaro numa comissão parlamentar veio confirmar que “o Governo continua em estado de negação” ao não admitir as suas falhas na resposta à depressão Kristin. Por exemplo, “o país não percebe como foi possível as Forças Armadas só receberem ordem de prontidão máxima sete dias após a tempestade Kristin”, apontou Fabian Figueiredo, insistindo que essa descoordenação de meios entre Proteção Civil e FA não pode voltar a acontecer nas próximas horas”.  

Questionado sobre a demissão da ministra da Administração Interna, o deputado bloquista diz que “não se percebe porque é que o secretário de Estado não acompanhou a demissão da ministra”, pois além de ter estado com ela na cerimónia de entrega de espadas no dia da tempestade, ainda lançou no mesmo dia a sua recandidatura à distrital do PSD em Setúbal.

“O ex-líder da IL parece ter-se dedicado a uma carreira de influencer”

Fabian Figueiredo chamou ainda a atenção para um vídeo publicado pelo atual deputado e ex-líder da Iniciativa Liberal nas redes sociais a acusar o Bloco de estar em silêncio sobre as cheias.

Ao contrário do que diz Rui Rocha, “o Bloco esteve em Coimbra e Leiria, com os seus militantes a integrarem grupos de voluntários”, e além das visitas de José Manuel Pureza às zonas afetadas, o coordenador bloquista apresentou aos jornalistas na terça-feira ao lado de Fabian Figueiredo na Assembleia da República um pacote de dez medidas para apoiar e reconstruir as zonas atingidas, que serão debatidas e votadas no dia 4 de março em debate agendado pelo partido. Elas incluem “um apoio aos rendimentos robusto, apoio à habitação e isenção de IMI para casas severamente atingidas, aumento da capacidade de resposta dos municípios e indemnizações justas para quem perdeu entes queridos ou sofreu incapacidade permanente”.

“Estamos preocupados em garantir que há um escudo social que protege as comunidades afetadas”, ao contrário do ex-líder da IL, que “parece ter-se dedicado a uma carreira de influencer”, prosseguiu Fabian Figueiredo, desafiando os jornalistas a verificarem qual foi a última iniciativa apresentada pelos liberais no Parlamento, que “é alusiva à caricatura política”.

“Se Rui Rocha estivesse mais atento, talvez percebesse melhor porque é que a IL tem estado ausente e o Bloco presente”, concluiu.

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