O deputado bloquista Fabian Figueiredo falou aos jornalistas no final d conferência de líderes que adiou o debate quinzenal com o primeiro-ministro previsto para esta quarta-feira. O Bloco de Esquerda não se opôs ao adiamento por considerar que Luís Montenegro, que agora acumula a pasta da Administração Interna após a demissão de Maria Lúcia Amaral, deve estar presente no terreno face à gravidade da situação no rio Mondego.
Desta vez, prosseguiu o deputado do Bloco, todo o país espera que a Proteção Civil “tenha toda a capacidade instalada para garantir que nada falha no socorro, no resgate e na segurança das populações”.
Depressão Kristin
Atraso, autopromoção, abandono: como o Governo respondeu à tempestade
“Estaremos sempre do lado daqueles que exigirão que o Estado esteja presente e que o comando político esteja concentrado ao máximo nível”, afirmou Fabian Figueiredo, acrescentando que “foi o contrário do que aconteceu na tempestade Kristin”.
E a presença de Leitão Amaro numa comissão parlamentar veio confirmar que “o Governo continua em estado de negação” ao não admitir as suas falhas na resposta à depressão Kristin. Por exemplo, “o país não percebe como foi possível as Forças Armadas só receberem ordem de prontidão máxima sete dias após a tempestade Kristin”, apontou Fabian Figueiredo, insistindo que essa descoordenação de meios entre Proteção Civil e FA não pode voltar a acontecer nas próximas horas”.
Questionado sobre a demissão da ministra da Administração Interna, o deputado bloquista diz que “não se percebe porque é que o secretário de Estado não acompanhou a demissão da ministra”, pois além de ter estado com ela na cerimónia de entrega de espadas no dia da tempestade, ainda lançou no mesmo dia a sua recandidatura à distrital do PSD em Setúbal.
“O ex-líder da IL parece ter-se dedicado a uma carreira de influencer”
Fabian Figueiredo chamou ainda a atenção para um vídeo publicado pelo atual deputado e ex-líder da Iniciativa Liberal nas redes sociais a acusar o Bloco de estar em silêncio sobre as cheias.
Escudo social
Bloco apresenta 10 medidas de emergência para reconstruir comunidades
Ao contrário do que diz Rui Rocha, “o Bloco esteve em Coimbra e Leiria, com os seus militantes a integrarem grupos de voluntários”, e além das visitas de José Manuel Pureza às zonas afetadas, o coordenador bloquista apresentou aos jornalistas na terça-feira ao lado de Fabian Figueiredo na Assembleia da República um pacote de dez medidas para apoiar e reconstruir as zonas atingidas, que serão debatidas e votadas no dia 4 de março em debate agendado pelo partido. Elas incluem “um apoio aos rendimentos robusto, apoio à habitação e isenção de IMI para casas severamente atingidas, aumento da capacidade de resposta dos municípios e indemnizações justas para quem perdeu entes queridos ou sofreu incapacidade permanente”.
“Estamos preocupados em garantir que há um escudo social que protege as comunidades afetadas”, ao contrário do ex-líder da IL, que “parece ter-se dedicado a uma carreira de influencer”, prosseguiu Fabian Figueiredo, desafiando os jornalistas a verificarem qual foi a última iniciativa apresentada pelos liberais no Parlamento, que “é alusiva à caricatura política”.
“Se Rui Rocha estivesse mais atento, talvez percebesse melhor porque é que a IL tem estado ausente e o Bloco presente”, concluiu.