Comemoração

O CIDAC faz 50 anos

26 de maio 2024 - 11:22

Nascida a partir de um grupo de pessoas que lutou na clandestinidade contra o colonialismo, a organização não governamental ainda existe hoje tendo um Centro de Recursos para o Desenvolvimento e uma Loja de Comércio Justo e mantendo várias lutas para a “construção quotidiana de uma sociedade democrática”.

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CIDAC
CIDAC. Foto de Veronika/CIDAC

Tinham passado apenas semanas da revolução dos cravos quando um grupo criou o Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral. O seu encontro não se deu aí, a organização não governamental foi fundada em maio de 1974 mas assume-se como tendo nascido, a partir da clandestinidade,“da luta pela liberdade e pela justiça no no tempo da ditadura do Estado Novo, atuando em particular através da produção e distribuição de informação clandestina contra a guerra colonial”.

Nascido então como Centro de Informação e Documentação Anti-Colonial, em janeiro de 1977 muda o nome para Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral. Em fevereiro de 2004, altera-o novamente para a denominação atual.

Apresenta as suas prioridades atuais como a “educação para o desenvolvimento” e o “comércio e desenvolvimento”. E para isso tem dois instrumentos principais: um Centro de Recursos para o Desenvolvimento e uma Loja de Comércio Justo. Coopera ainda com organizações parceiras da Guiné-Bissau e de Timor-Leste.

Num artigo para a Plataforma Portuguesa de Organizações para o Desenvolvimento, a instituição lembra alguns momentos da sua história e faz-se um balanço do seu percurso. Ainda no ano da fundação, em dezembro, acontece a “primeira de muitas” ações de cooperação com a Guiné-Bissau. Nesta cooperação ao longo dos anos, o CIDAC optou pelas parcerias com organizações locais, com trabalhadores/as locais, sem representação permanente do CIDAC no terreno e com apoios técnicos de curta duração. Uma forma de escapar a modelos e tendências europeias de cooperação nos quais as organizações internacionais “se sobrepunham às funções dos Estados locais”, ou tinham “práticas de marcação de território (placas, logótipos, …) que desapropriam as populações dos seus próprios territórios afirmando, para consumo interno e externo, a sua dependência dos financiadores”.

Em Portugal, considera-se que a Plataforma Portuguesa das ONGD, fundada em 1985, é “uma das expressões mais perenes do trabalho com outros”. Foi um “caminho longo, de aprendizagem, de uma sociedade que paulatinamente foi saindo do isolamento a que tinha sido votada” e “um caminho difícil de trabalho sobre a diversidade e de valorização da construção coletiva”, avalia-se

Este sentimento coletivo é também alimentado pela prática já antiga de acolher” coletivos com os quais partilhem valores nas suas instalações, o que permite ir-se “mantendo a par das lutas de outros setores da sociedade civil, que muitas vezes se cruzam com as nossas”.

A organização lembra ainda algumas das lutas políticas que travou. Estas “são a raiz do CIDAC e fazem parte do quotidiano da vida associativa”. Entre elas, está a luta pelo direito à autodeterminação do povo de Timor-Leste, por uma Educação para o Desenvolvimento que culminou na elaboração da primeira Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento, contra a entrada da Guiné-Equatorial para a CPLP ou contra o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP).

Neste seu balanço, sublinham os “valores permanentes” que norteiam a instituição “entre os quais a solidariedade, a justiça nas relações internacionais, o reconhecimento e a valorização das identidades e dos recursos locais, o papel específico da sociedade civil na procura e construção de soluções alternativas, a independência e autonomia face aos poderes instituídos e a intervenção em parceria”, todos eles orientados para a “construção quotidiana de uma sociedade democrática”.

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