Na gala anual dos Prémios Sophia, realizada este domingo, foram atribuídos vários troféus cinematográficos portugueses, que têm por objetivo reconhecer a melhor produção nacional ao nível do cinema. Nuno Lopes, vencedor na categoria de Melhor Ator Principal, contextualizou o filme que lhe valeu o prémio e criticou o rumo das políticas culturais e o financiamento para a cultura: “O São Jorge é um filme sobre um período muito negro da nossa história recente, a troika e a auteridade que se abateram sobre nós há uns anos”. “Na cultura, infelizmente, os anos da crise ainda não passaram”, disse o ator, acrescentando que “continuamos a lutar desesperadamente para que a cultura mereça 1% do Orçamento. 1% é o que pedimos, na realidade o que temos é apenas menos do que 0,2%, ou seja, arredondando, zero.”
O ator afirmou que aquele não era “o discurso que gostaria de fazer”, mas era aquele que tinha “a responsabilidade de fazer” e terminou com um apelo: “A cultura é uma responsabildiade do Estado. Juntem-se a nós e façam a vossa parte, senhores governantes. Ainda vamos a tempo”.
Em 2016, também pelo filme São Jorge, Nuno Lopes recebeu o Prémio Orizzonti de Melhor Ator. Foi agraciado com Globos de Ouro em 2006, 2009 e 2013 e este mês recebeu o Prémio Autores de 2017.