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Nuclear: Livre admite estudar tecnologia condenada pela Greenpeace

Os pequenos reatores modulares são apresentados como a nova vaga da inovação nuclear. No Canadá, deram origem a um braço de ferro entre ambientalistas e governo. Por cá, entraram na campanha pela mão de Rui Tavares.
Rui Tavares. Foto André Kosters/Lusa

No debate eleitoral desta semana nas rádios, António Costa acusou o Livre de abrir a porta à energia nuclear em Portugal. Rui Tavares respondeu que era contra as atuais centrais nucleares, mas admitiu a introdução dos mini-reatores, confirmando o que está escrito no programa eleitoral do Livre para estas eleições, que se compromete a “seguir atentamente o desenvolvimento de novas tecnologias de produção de energia nuclear (como os small modular reactors, ou a fusão nuclear), que poderão contribuir para a descarbonização, assim como dar resposta ao crescente consumo energético.”

O Canadá é um dos países onde o financiamento público ao desenvolvimento destes “small modular reactors”(SMR) é muito contestado. Organizações como a Greenpeace ou a Friends of the Earth consideram esta tecnologia “uma manobra de diversão poluente e perigosa” para não enfrentar a crise climática.

Em novembro de 2020, o Partido Verde do Canadá declarou que “os SMR não têm lugar em nenhum plano para mitigar as alterações climáticas, numa altura em que existem soluções mais limpas e baratas. O governo federal deve parar de financiar a indústria nuclear e em vez disso dirigir o investimento para soluções inteligentes”.

Para Shawn-Patrick Stensil, diretor de Programas da Greenpeace Canadá, “as hipotéticas novas tecnologias de energia nuclear têm prometido ser a ‘next big thing’ nos últimos quarenta anos, mas apesar dos enormes subsídios públicos, essa promessa nunca se concretizou”.

Por seu lado, uma responsável da Canadian Environmental Law Associaton diz que a desativação das grandes centrais nucleares na América do Norte nos próximos anos levou a indústria nuclear a procurar soluções para o seu futuro. “Eu diria que as alterações climáticas apresentam essa solução oportuna para eles”, referiu Kerrie Blaise à CBC, acrescentando que estes mini-reatores mantêm os mesmos problemas ambientais e de segurança das centrais maiores, quer quanto aos resíduos radioativos, à segurança da produção e transporte da energia ou ao problema do seu desmantelamento. Problemas que não podem ser ofuscados pelo objetivo de reduzir emissões custe o que custar, acrescenta.

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