Os pedidos de licenciamento para atividade de alojamento local atingiram na primeira metade deste ano um número inédito. Dados do Registo Nacional de Estabelecimentos de Alojamento Local mostram que, entre janeiro e junho de 2023, 11.285 propriedades foram registadas para este efeito. O que constitui um aumento de 68% face ao ano passado.
Estes dados foram trabalhados pelo DN/Dinheiro Vivo e mostram que até relativamente ao primeiro semestre do ano em que tinham existido mais licenças, 2018, houve uma subida de 6%.
Por distrito, há aumentos fortes em Faro (4.726 novas licenças face às 2.486 de 2022), Leiria (642 quase duplicando o ano passado), Setúbal (881 um aumento de 166% face ao mesmo período do anos passado). Para além dos distritos do litoral, o mesmo fenómeno também ocorreu em distritos como Santarém que mais do que triplicou registos, Évora (+134%) e Coimbra (+133%).
Em sentido contrário, estão os dois maiores distritos, já saturados. O Porto foi o único distrito no qual as novas licenças recuaram face ao ano anterior (-1,3%) e Lisboa teve a menor percentagem de crescimento, ainda assim significativa (1.317 registos, o que é uma subida de 16%).
Este órgão de comunicação social falou com a Associação do Alojamento Local em Portugal que avança com a tese de que a culpa é do governo e que foi apenas recente pacote legislativo sobre habitação a desencadear muitos registos “preventivos”. Ou seja, para eles, “não há um aumento de dormidas ou de procura turística no país que justifique estes números” diz Eduardo Miranda, mas os proprietários estarão a apressar-se nos registos para garantir que possam entrar no mercado, sendo assim apresentados como “registos fantasma”.