Roménia

Nova vitória da extrema-direita na repetição da primeira volta das presidenciais

05 de maio 2025 - 14:13

A anterior primeira volta foi anulada por suspeitas de interferência russa. Nesta repetição, outro dos candidatos de extrema-direita ficou confortavelmente na frente. Simion é um trumpista que defende a anexação da Moldávia e de partes da Ucrânia.

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George Simion
George Simion. Foto de ROBERT GHEMENT/EPA.

Na primeira volta das eleições presidenciais da Roménia deste domingo, George Simion ficou na frente com 40.96% dos votos. O candidato da extrema-direita passa assim confortavelmente à segunda volta que disputará com Nicusor Dan, o matemático e presidente de Câmara de Bucareste que obteve 20.89% dos votos. Este apresentou-se como independente depois de ter fundado o partido de direita União Salvar a Roménia, com uma forte retórica anti-corrupção, de que depois se afastou.

De fora por muito pouco ficará Crin Antonescu, o candidato da coligação de governo, apoiado pelo Partido Social Democrata e pelo Partido Nacional Liberal, com 20.34%.

Primeira volta repetida, vitória da extrema-direita também

Estas eleições são uma repetição da primeira volta realizada há seis meses e que tinha sido anulada pelos tribunais. Então, outro político de extrema-direita, Calin Georgescu, relativamente pouco conhecido, tinha ficado inesperadamente à frente. As acusações de fraude e de interferência russa fizeram com que as eleições fossem repetidas já sem este candidato.

Simion, que tinha tido apenas 13,8% dos votos na primeira volta anulada, capitalizou agora os votos de Georgescu e foi mesmo mais longe do que a soma dos dois na eleições de novembro (tinham tido 3,4 milhões, agora Simion teve 3,8).

Antes dados como rivais no mesmo espaço político, os dois deslocaram-se às urnas juntos neste fim de semana. Em declarações ao Financial Times, o candidato admitiu nomear o seu novo aliado para chefe do governo, para além de dizer que poderá afastar os juízes do Tribunal Constitucional e membros dos serviços secretos envolvidos na investigação àquele.

Quem é Simion

George Simion tem 38 anos, é dirigente da Aliança para a Unidade dos Romenos e é um admirador confesso de Donald Trump.

Diz-se a favor da presença da tropas da Nato no seu país e defende a anexação da Moldávia e das partes da Ucrânia com populações romenas. Para além disso, a AUR é crítica do apoio romeno à Ucrânia e até da circulação dos seus produtos agrícolas pelo país. Por estas coisas, está banido de entrar tanto na Moldávia como na Ucrânia.

Contudo, é também um cultor do discurso anti-russo. À BBC, apresenta mesmo aquele país como “o maior perigo” que enfrentam a Roménia, a Polónia e os Estados Bálticos.

Para além disso, defende as tradicionais obsessões da extrema-direita, nomeadamente a oposição à “ideologia de género” em nome da “família clássica”, é pró-sionista e mobilizou-se contra as vacinas na altura da Covid-19.

Este tipo de discurso parece ganhar tração num país cujo rendimento médio é apenas um terço da média da União Europeia, em que mais de 30% dos habitantes se encontram em risco de pobreza e exclusão social e em que perto de 20% dos trabalhadores se encontram fora do país. É, aliás, entre os emigrantes que Simion obteve as melhores percentagens eleitorais.