Noam Chomsky vive, a sua inspiração prospera

18 de junho 2024 - 20:41

O rumor da morte do linguista e intelectual norte-americano circulou esta terça-feira em várias páginas noticiosas mas acabou por ser desmentido. Afinal teve até alta do hospital em que estava. A dimensão e intensidade da reação a estas notícias dá conta do apreço pela sua estatura intelectual e pelo seu percurso político crítico.

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Chomsky
Chomsky. Foto de Augusto Starita / Ministerio de Cultura de la Nación/Flickr.

Esta terça-feira, um rumor espalhou-se rapidamente pela Internet, foi reproduzido em várias páginas noticiosas do mundo inteiro e começaram a chover homenagens: Chomsky tinha morrido.

Sabia-se que o intelectual norte-americano se encontrava hospitalizado em São Paulo na sequência de um AVC e muitas destas notícias chegavam precisamente do Brasil. Algum tempo depois, chegaram os desmentidos, nomeadamente o da sua mulher. Finalmente, a notícia do dia foi em sentido contrário: de acordo com a Globo recebeu alta do hospital Beneficência Portuguesa.

A dimensão do fenómeno que acompanhou este rumor é contudo significativa do apreço pela sua estatura intelectual e pelo seu percurso político crítico.

Quem é Chomsky?

Avram Noam Chomsky nasceu em 7 de dezembro de 1928 em Filadélfia, Pensilvânia, Estados Unidos, a 7 de dezembro de 1928, numa família de origens judaicas, o pai originário da Ucrânia, a mãe nascida nos EUA mas de raízes bielorrussas.

Formou-se em Filosofia e Linguística na Universidade da Pensilvânia e tornou-se depois investigador no campo da linguística na Universidade de Harvard entre 1951 e 1955. A partir daí e até à sua reforma passou a ensinar no Massachusetts Institute of Technology.

O seu livro de 1957, Syntactic Structures, no qual resume a sua tese de doutoramento e a sua “gramática generativa” transformaram a sua área de estudo ao nível mundial.

Defendia que todos nascemos com uma “gramática universal” uma estrutura profunda que seria comum a todos os seres humanos. Ou seja, uma espécie de caixa de ferramentas interpretativas inata que nos adquirir os princípios básicos de uma língua em particular.

Paralelamente com a atividade académica, desenvolveu uma intensa atividade política que acompanhou com vários estudos críticos da política externa norte-americana e do funcionamento dos meios de comunicação social. Sempre à esquerda, numa perspetiva de socialismo libertário e com militância no sindicato Industrial Workers of the World.

Desde muito cedo que este envolvimento se fez notar. Tinha apenas dez anos quando escreveu um primeiro artigo sobre os perigos do fascismo. Barcelona tinha caído então nas mãos do franquismo.

E aos 12 identificava-se como anarquista. Depois veio a resistência à guerra do Vietname, assumindo a causa num artigo marcante, The Responsibility of Intellectuals, publicado no The New York Review of Books em 1967 . E muitas outras tomadas de posição como o apoio à causa timorense, a oposição à invasão do Iraque, a defesa do povo palestiniano.

Escreveu livros como "American Power and the New Mandarins", "Human Rights and American Foreign Policy", “Requiem for the American Dream: The 10 Principles of Concentration of Wealth & Power” e “Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media”. Redigiu também inúmeros artigos, vários dos quais publicados no Esquerda.net, e multiplicou-se em conferências pelo mundo inteiro.