Negociações do clima terminam sem acordo em Bona

17 de junho 2022 - 22:40

Representantes dos países mais vulneráveis criticaram a "hipocrisia" europeia na reunião dos negociadores de quase 200 países para prepararem a COP27 de novembro em Sharm el-Sheik, no Egito.

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Imagem da reunião de negociadores em Bona. Foto UNFCCC/Facebook

Terminou esta quinta-feira a semana de negociações em Bona na preparação da prócima cimeira do Clima, a COP27, que se realiza em novembro no Egito. E o balanço é bastante negativo para os países em desenvolvimento e mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, ao não verem avanços nos mecanismos de financiamento e compensação.

A promessa de criação de um fundo anual de 100 mil milhões de dólares destinado à adaptação destes países continua por cumprir e mais longe ainda estará a concretização de um fundo destinado a cobrir perdas e danos causados por tempestades, furacões, cheias ou ondas de calor nos países mais vulneráveis. Estados Unidos e União Europeia continuam a recusar a criação deste fundo, argumentando que o dinheiro pode ser canalizado através rede de organizações com fins humanitários e de ajuda ao desenvolvimento.

O representante paquistanês na reunião falou em nome dos países do G77 para dizer que o grupo sai "insatisfeito" de Bona, enquanto o representante da Zâmbia diz que os países africanos estão "preocupados com a ausência de progressos". Na mesma linha, o representante de Antigua e Barbados, falando em nome da Aliança de Pequenos Estados Insulares, afirmou que estes países ainda esperam por garantias de que "o financiamento de que precisamos agora será entregue rapidamente ou mesmo até 2025".

Do lado dos ambientalistas, critica-se que a União Europeia tenha "bloqueado sistematicamente" as discussões sobre um mecanismo de reparação das perdas e danos. Harjeet Singh, da Climate Action Network International, acusa os países europeus de adotarem uma "postura hipócrita" face ao problema. "Se a UE quer apresentar-se como defensora do clima tem de estar ao lado com os mais vulneráveis na sua luta por justiça", afirmou Singh, citado pelo EU Observer.

Outros observadores sublinham que os países mais vulneráveis estão a assistir à forma como os países ricos têm desbloqueado milhares de milhões de dólares e euros para intervirem na guerra da Ucrânia, enquanto se recusam a financiar o atenuar do impacto das alterações climáticas que sofrem todos os dias.

No comunicado de encerramento da Conferência, Patricia Espinosa, a líder do organismo da ONU para as alterações climáticas, afirmou que "embora ainda haja muito trabalho a fazer, as Partes fizeram progressos numa série de áreas técnicas aqui em Bona".

"As decisões políticas importantes devem ser tomadas na COP27, em particular sobre o financiamento de perdas e danos. Precisamos agora de garantir que Sharm el-Sheikh é realmente o lugar onde as promessas do Acordo de Paris se tornam uma realidade", acrescentou Espinosa, que está prestes a terminar o seu mandato no cargo.