A reunião de Bona vai prolongar-se até 16 de junho e na abertura do encontro a responsável pela pasta das alterações climáticas, Patricia Espinosa, apelou à unidade dos países em torno dos objetivos fixados, avisando que "não é aceitável dizer que vivemos tempos desafiantes" por entre a guerra na Ucrânia e a crise alimentar e usar isso como desculpa para não cumprir o acordado nas últimas cimeiras do clima.
"Temos de compreender que as alterações climáticas estão a evoluir exponencialmente. Já não nos podemos dar ao luxo de apenas fazermos avanços incrementais", prosseguiu Espinosa, que vê agora terminarem os seis anos de mandato à frente do organismo da ONU para as alterações climáticas.
Apesar dos repetidos alertas dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas no sentido de que adiar a concretização de medidas significa perder a janela de opotunidade para assegurar um futuro sustentável e habitável para a humanidade, os governos não parecem ter ouvido e continuam a adiar essas medidas, pondo em risco o cumprimento do objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo dos 2°C acima dos níveis pré-industriais até ao fim do século. Neste momento esse aumento aproxima-se dos 1,2°C e até ao fim do século pode duplicar a fasquia de 1,5°C definida em Paris.
As negociações de Bona deviam permitir aos países acelerarem os seus calendários para cortarem as emissões de gases om efeito de estufa e concretizarem os mecanismos de financiamento às nações mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, depois de falhada a promessa de criar um fundo anual de 100 mil milhões de dólares com esse fim.
Apesar do acordo alcançado na cimeira de Glasgow no ano passado, os resultados concretos não estão à vista, revela uma análise da BBC. Até agora, apenas 11 países entre os 196 representado apresentaram novos planos para reduzir as emissões de CO2 e o prazo dado termina já em setembro. Quanto às promessas de terminar progressivamente com os subsídios à indústria dos combustíveis fósseis, a verdade é que eles aumentaram desde então em resultado das sanções ao gás russo. O prometido fim do recurso ao carvão também não viu grandes progressos, com 34 países a planearem novas infraestruturas e a India a anunciar a reabertura de cem centrais a carvão e o aumento de produção nas restantes. Quanto ao compromisso de parar com a desflorestação até 2030, os incêndios na Rússia e o aumento em 69% da desflorestação na Amazónia brasileira no ano passado vão no sentido contrário das promessas.