Os grandes derrotados foram os dois partidos alternantes desde os acordos de paz, assinados em 1992 e que puseram fim a dez anos de guerra civil: a conservadora ARENA (Alianza Republicana Nacionalista), então ligada aos “esquadrões da morte” da extrema-direita, e a social-democrata FMLN (Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional), antiga guerrilha de esquerda.
Assim, o candidato da primeira, apoiado por outras três formações de centro-direita e da direita, Carlos Calleja, foi segundo, com 31,8%. Já Hugo Martínez, da segunda, partido no poder desde 2009, ficou-se por uns modestos 14,4%. Um quarto candidato, o pastor evangélico Josué Alvarado, do VAMOS, não foi além de uns residuais 0,8%. Os votos brancos e nulos somaram 1,2%. A participação eleitoral foi baixa, tendo votado apenas 50,2% dos eleitores.
Os resultados vão ao encontro do que previam todas as sondagens e mostram o descontentamento dos salvadorenhos com os dois principais partidos, em especial com a corrupção endémica, a criminalidade e a sua incapacidade para resolver os problemas do país, um dos mais desiguais do mundo.
O novo presidente foi, desde 2015, “alcalde” da capital do país, São Salvador, eleito pela FMLN, formação a que pertencia. Contudo, tornou-se bastante crítico do presidente Salvador Cerén e das políticas do partido. Em 2017, foi expulso deste, após ter agredido uma vereadora da FNLM que se recusara a votar a favor de um seu projeto durante uma sessão do conselho municipal. Formou, então, um novo partido, denominado Nuevas Ideas, que se coligou com uma pequena formação de centro-esquerda, o Cambio Democratico, mas esta última acabou dissolvida pelo Tribunal Constitucional por não ter ultrapassado o limiar mínimo de votos nas eleições de 2015. Para poder concorrer às presidenciais, utilizou o GANA como “barriga de aluguer” …e “ganou”!...
Apesar de toda a sua retórica de mudança e se afirmar, ideologicamente, de centro-esquerda, dificilmente o país mudará para melhor. Aliás, dada a natureza eminentemente pessoal da sua candidatura e algumas das suas atitudes, como a mencionada agressão à vereadora, teme-se que o autoritarismo esteja “ao virar da esquina”.
Para mais informações sobre a história recente de El Salvador, podem consultar aqui.