Os trabalhadores da Navigator estiveram em greve esta sexta-feira, depois da recusa da administração em negociar as propostas de aumentos salariais. Em dia de assembleia de acionistas, centenas de trabalhadores das diferentes unidades empresa no país deslocaram-se para uma ação de protesto ao Hotel Ritz, em Lisboa, onde teve lugar a reunião marcada para aprovar a distribuição dos resultados anuais pelos donos da Navigator.
Convocada por dois sindicatos da federação intersindical da CGTP das indústrias e energia (Fiequimetal), o SITE Centro Norte e o SITE Sul, este protesto teve como objetivo levar o "descontentamento aos acionistas e à opinião pública".
A administração da empresa é acusada de rejeitar o diálogo e de ignorar as propostas de aumentos salariais aprovadas em plenários de trabalhadores, com a imposição, por ato de gestão, de progressões nas carreiras que dependem de avaliações de desempenho e sem mexer na tabela salarial. Apesar de ser uma empresa de grandes dimensões e de se tratar de trabalho qualificado, o valor de entrada na Navigator é atualmente pouco acima do salário mínimo e houve uma forte degradação nos últimos anos. Os sindicatos denunciam ainda que, a decisão unilateral de reduzir de 15% para 10% o pagamento do subsídio de turno, no regime de dois turnos.
A empresa de pasta e papel, Grupo Portucel Soporcel até 2016, detentora de uma importante área florestal e de várias unidades industriais, apresentou o seus melhores resultados nos últimos anos, com lucros de 275 milhões de euros em 2023, depois de um resultado de 392 milhões no ano anterior.
Tiago Oliveira, secretário geral da CGTP, esteve presente na concentração e deu voz à indignação face ao fosso entre as decisões dos donos da empresa para si próprios e a situação dos trabalhadores. "Quem está ali dentro, naquela mordomia, a distribuir 150 milhões de euros, não sabe o que é viver com mil euros por mês".
Também o deputado bloquista José Soeiro marcou presença no protesto, levando uma mensagem de solidariedade do partido e de incentivo à luta pelo salário. O deputado criticou também o contraste entre a recusa da administração em valorizar os salários dos trabalhadores, por um lado, e uma reunião de acionistas fechados num hotel de luxo para distribuir milhões de euros em lucros.