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Navalny: Alemanha fala em envenenamento, Kremlin diz que médicos estão com pressa

Em coma e ligado a um ventilador desde quinta-feira, o opositor russo foi transferido da Rússia para a Alemanha. Médicos de Berlim dizem que houve envenenamento por substância ainda por identificar, mas o Kremlin diz que não entende "a ansiedade dos médicos alemães".
Navalny é protagonista de várias denúncias de corrupção entre a oligarquia próxima do Kremlin.
Navalny é protagonista de várias denúncias de corrupção entre a oligarquia próxima do Kremlin. Fotografia de MItya Aleshkovskiy/Wikimedia Commons.

Após a transferência de Alexei Navalny da Rússia para a Alemanha no passado fim de semana, os médicos que o acompanham em Berlim afirmam ter concluído que o opositor russo fora envenenado por “uma substância do grupo dos inibidores de colinesterase”, mas sem conseguirem especificar qual. O russo encontra-se num hospital alemão, com agentes federais e elementos da polícia destacados para permanecer junto das instalações.

Mas o Kremlin reagiu esta terça de manhã, acusando os médicos alemães de terem concluído apressadamente a existência de um envenenamento, quando os médicos russos tinham logo descartado esse cenário. 

“A análise clínica dos nossos médicos e dos alemães coincidem completamente, mas as conclusões diferem. Não entendemos essa ansiedade entre os colegas alemães”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Presidente Vladimir Putin, em citação da agência Lusa. 

O envenenamento seria “uma pista entre outras”, mas “existem muitas outras pistas médicas”, afirmou o porta-voz, insistindo que os médicos alemães não identificaram nenhuma substância. 

“Temos de estabelecer a causa, e essa causa nem os nossos médicos, nem os alemães identificaram”, afirmou, destacando que a Rússia ficaria “grata” se uma substância fosse descoberta na Alemanha, concluindo que não se sabe “se houve envenenamento ou não”. 

Ainda em reação às declarações públicas de Berlim, Dmitry Polyanskiy, diplomata e representante da Nações Unidas, foi para o Twitter comentar a situação. Polyanskiy apela ao "senso comum", questionando-se sobre por que motivo o Kremlin tentaria envenenar Navalny, ainda para mais "de uma forma tão desastrada".  O diplomata faz ainda uma ligação entre este caso e a tentativa falhada de envenenamento de Sergei e Yulia Skripal, que apelida de "embuste Skripal".

Alexei Navalny sentiu-se mal no passado dia 20 de agosto, durante um voo da Sibéria para Moscovo, tendo aterrado de emergência pouco depois. Foi na Sibéria que esteve internado dois dias, em coma e ligado a um ventilador. 

Inicialmente, a equipa médica russa que o acompanhava recusou a transferência para outro país e a partilha dos dados clínicos com os alemães. Porém, acabaram por autorizar a transferência a 22 de agosto. Para os familiares do opositor russo, trata-se de um “envenenamento intencional”.

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