Após a transferência de Alexei Navalny da Rússia para a Alemanha no passado fim de semana, os médicos que o acompanham em Berlim afirmam ter concluído que o opositor russo fora envenenado por “uma substância do grupo dos inibidores de colinesterase”, mas sem conseguirem especificar qual. O russo encontra-se num hospital alemão, com agentes federais e elementos da polícia destacados para permanecer junto das instalações.
Mas o Kremlin reagiu esta terça de manhã, acusando os médicos alemães de terem concluído apressadamente a existência de um envenenamento, quando os médicos russos tinham logo descartado esse cenário.
“A análise clínica dos nossos médicos e dos alemães coincidem completamente, mas as conclusões diferem. Não entendemos essa ansiedade entre os colegas alemães”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Presidente Vladimir Putin, em citação da agência Lusa.
O envenenamento seria “uma pista entre outras”, mas “existem muitas outras pistas médicas”, afirmou o porta-voz, insistindo que os médicos alemães não identificaram nenhuma substância.
“Temos de estabelecer a causa, e essa causa nem os nossos médicos, nem os alemães identificaram”, afirmou, destacando que a Rússia ficaria “grata” se uma substância fosse descoberta na Alemanha, concluindo que não se sabe “se houve envenenamento ou não”.
Before our critics will predictably promote “Russia did it” narrative I once again appeal to their common sense. WHY would we do it? And in such a clumsy inconclusive way? Same questions remain unanswered since the #Skripal hoax! #Navalny https://t.co/6I6OyC9Dy2
— Dmitry Polyanskiy (@Dpol_un) August 24, 2020
Ainda em reação às declarações públicas de Berlim, Dmitry Polyanskiy, diplomata e representante da Nações Unidas, foi para o Twitter comentar a situação. Polyanskiy apela ao "senso comum", questionando-se sobre por que motivo o Kremlin tentaria envenenar Navalny, ainda para mais "de uma forma tão desastrada". O diplomata faz ainda uma ligação entre este caso e a tentativa falhada de envenenamento de Sergei e Yulia Skripal, que apelida de "embuste Skripal".
Alexei Navalny sentiu-se mal no passado dia 20 de agosto, durante um voo da Sibéria para Moscovo, tendo aterrado de emergência pouco depois. Foi na Sibéria que esteve internado dois dias, em coma e ligado a um ventilador.
Inicialmente, a equipa médica russa que o acompanhava recusou a transferência para outro país e a partilha dos dados clínicos com os alemães. Porém, acabaram por autorizar a transferência a 22 de agosto. Para os familiares do opositor russo, trata-se de um “envenenamento intencional”.