Número de entradas no Ensino Superior recua sete anos

08 de setembro 2013 - 17:16

Na primeira fase do concurso de acesso ao próximo ano letivo, entraram apenas 37.415 estudantes, o número mais baixo desde 2006. O presidente dos reitores diz que que seria "um suicídio" para o país "enfraquecer" ainda mais as instituições de Ensino Superior e Mário Nogueira lamenta que a precarização da profissão docente tenha diminuído a procura dos cursos de educação.

PARTILHAR
Foto Paulete Matos

Das 51.461 vagas a concurso sobraram este ano 14.176, mais 1.870 do que as 12.306 que sobraram em 2012, ano em que havia disponíveis 52.298 lugares no ensino superior, informa a agência Lusa com base nos números divulgados este domingo pela Direção Geral do Ensino Superior (DGES). Este ano conseguiram vaga logo na primeira fase 90% dos candidatos e a maioria (60%) no curso indicado como primeira opção.

Apesar da sobra de vagas nos números globais, nas universidades a procura superou a oferta, com mais 723 candidatos do que vagas. Já nos politécnicos, menos de metade das vagas foram ocupadas por alunos que os escolheram como primeira opção. Ao todo, ficam agora 14.176 vagas por preencher no total do Ensino Superior português.

Para o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), os números não representam uma surpresa. Citado pelo Jornal de Notícias, António Rendas diz que as universidades deveriam olhar para a captação de alunos estrangeiros para contornar a quebra da "procura interna". 

Para o líder dos reitores portugueses, o problema mais grave com que as universidades se defrontam hoje é o anúncio de novos cortes para o Ensino Superior em 2014."O ano letivo está a começar, pelo que é bom termos a certeza do que podemos contar", diz o presidente do CRUP, acrescentando que seria "um suicídio" para o país "enfraquecer" ainda mais as instituições de Ensino Superior.

Os dados da DGES indicam também que ese ano há 93 cursos com média de entrada acima de 15 valores, enquanto 14 cursos aceitam alunos com média acima dos 9,5 valores. Nas universidades, a do Algarve é a que tem mais vagas sobrantes para a segunda fase (735), enquanto no politécnico essa lista é liderada por Bragança, que ainda pode acolher mais 1420 alunos.

Fenprof: Quebra nos cursos de educação deve-se a instabilidade e precarização dos professores

Reagindo à quebra na procura dos cursos com saídas profissionais na área da educação - a primeira opção de menos 300 alunos do que no ano passado - o líder da Fenprof atribuiu-a à “desvalorização” da profissão docente e à instabilidade laboral. Ouvido pela Lusa, Mário Nogueira diz que "é natural que as pessoas não queiram estar quatro anos a estudar para uma coisa que não sabem se vão conseguir ser. É repugnante como este Governo está a destruir a escola pública e uma profissão tão bonita”, lamentou.

“Ainda para mais sabendo as pessoas que este Ministério da Educação não os vai reconhecer como professores”, lembrou o líder da Fenprof, referindo-se ao novo concurso de acesso à profissão como mais um entrave na hora de escolher o curso superior. “Os nossos jovens sabem que com esta prova de acesso à profissão, com este exame que vão ter de fazer depois de terminarem o curso, pode significar que o ministério senta-os numa sala durante uma hora e meia ou duas e diz-lhes 'o teu curso não vale nada, tens de tirar outro'”, acrescentou Mário Nogueira.

Nos últimos anos, as médias de entrada nestes cursos têm baixado e são muitos os candidatos que entram apesar de não se tratar da sua primeira opção na candidatura. Esta tendência que se agrava de ano para ano reforça a opinião de Mário Nogueira de que o Ministério da Educação está “a destruir a profissão de professor”.