Pelo menos nove jornalistas viram a sua conta no Twitter suspensa sem aviso na quinta-feira à noite. Muitos deles, incluindo o jornalista de tecnologia do Washington Post Drew Harwell, tinham noticiado a mudança ocorrida na véspera das regras do Twitter sobre "informação sobre localização em tempo real", que provocou a suspensão da conta @ElonJet.
Esta conta usava as informações disponíveis ao público sobre tráfego aéreo para seguir em tempo real as viagens do jato privado do bilionário. Musk nunca escondeu o seu incómodo com a situação e em fevereiro, meses antes de ter anunciado a intenção de adquirir esta rede social, chegou mesmo a oferecer cinco mil dólares ao autor desta conta para a desativar e dar uma ajuda a "dificultar que os malucos me localizem". "Alguma hipótese de subir isso para 50 mil? Seria uma grande ajuda para as despesas escolares e até daria para comprar um carro, quem sabe um [Tesla] Model 3", respondeu Jack Sweeney, de 19 anos. A sua resposta não agradou ao bilionário, que acabou por responder que "não parece bem pagar para encerrar a conta". Sweeney publicou a troca de mensagens privadas numa tentativa de trazer Musk de volta às negociações, alegando que cinco mil dólares não pagavam o trabalho que lhe deu fazer a conta, semelhante às que fez com os jatos privados de Bill Gates e Jeff Bezos. Sobre as questões de segurança, a descrição da conta alegava que apenas "segue os aviões e não quem vai lá dentro".
Depois de mandar suspender a conta, Musk decidiu também suspender as contas dos jornalistas que noticiavam a decisão. "Criticar-me todo o dia, tudo bem. Mas divulgar a minha localização em tempo real e pôr a minha família em perigo não", tweetou Musk na quinta à noite. A editora executiva do Washington Post saiu em defesa do seu repórter, afirmando que "Harwell foi banido do Twitter sem aviso, processo ou explicação, na sequência da publicação do seu artigo rigoroso sobre Musk" e exigindo que a sua conta fosse de imediato reposta.
Além de Drew Harwell, também Ryan Mac do New York Times, Donie O'Sullivan da CNN, Matt Binder do Mashable (que viu a conta desativada quando tweetava sobre a suspensão de O'Sullivan), o freelancer Tony Webster, o ex-pivô da MSNBC Keith Olbermann, Micah Lee do Intercept, Steve Herman da Voice of America e Aaron Ruptar, que escreve no Substack e tem mais de 800 mil seguidores no Twitter, viram a sua conta suspensa.
"A purga de jornalistas críticos é um ataque à liberdade de expressão. A Primeira Emenda protege o direito de Musk a fazer isso, mesmo que seja uma decisão terrível. O Twitter deve repor estas contas imediatamente", tweetou a organização de direitos civis ACLU.
Mastodon também é alvo da purga de Musk
Além de suspender as contas dos jornalistas e da que seguia o seu jato privado, também foi suspenso o perfil oficial da rede Mastodon, que se afirmou como alternativa para os utilizadores do Twitter descontentes com a deriva do novo proprietário em enfraquecer a proteção contra o discurso de ódio e restaurar contas de utilizadores banidos por essa razão.
Embora o Twitter não tenha respondido ao portal The Verge sobre o assunto, a razão da suspensão pode estar num post publicado pela conta da rede Mastodon a avisar os utilizadores que podem continuar a seguir o perfil @Elonjet na sua rede. A partir daí, os utilizadores do Twitter que publiquem repetidamente links para a rede Mastodon veem-se impedidos de o fazer e aparece uma mensagem de aviso a dizer que o link foi identificado como "potencialmente nocivo".