Museólogos de todo o mundo unem-se contra despedimentos

17 de abril 2020 - 17:26

Em carta aberta, exigem dos Museus e dos Centros de Arte Contemporânea o fim dos despedimentos e que repensem, com os seus trabalhadores e as suas comunidades, o papel da cultura em tempo de pandemia e o seu futuro.

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Fundação Serralves - Foto de Michell Zappa / Flickr.

Os subscritores desta carta aberta denunciam a tendência crescente de despedimentos nos principais museus do mundo em nome do COVID-19. Museus como MoMA, LA MOCA, Mass MoCA, Fundação Serralves e outros despediram educadores freelancers e a part time e, no caso do MoMA, não deixaram em aberto qualquer hipótese de readmissão. Os museólogos defendem que estes trabalhadores, contratados para servir de guias nas visitas, projetar e desenvolver programas para escolas e comunidades de todas as idades, são centrais no trabalho de museus e galerias, e que o facto de serem os primeiros na linha de fogo para despedimentos “é desconcertante, para dizer o mínimo”.

Acresce que estes postos de trabalho são, muitas vezes, ocupados por mulheres da classe trabalhadora e racializadas, que têm como função trabalhar com comunidades que não integram a elite cultural, e são mais vulneráveis ​​face à atual crise.

Estas pessoas são “mais essenciais do que nunca”, defendem os museólogos, assinalando que este pode ser um momento para utilizar essas habilidades por forma a oferecer mais às comunidades do que visitas a museus virtuais. “Em vez de refazer os museus mantendo os métodos conservadores de disseminação de conteúdo excludente, uma postura mais inovadora seria intensificar a dimensão educacional da sua oferta neste momento de medo, perda e reorganização da comunidade, e priorizar as relações com os seus grupos mais excluídos”, enfatizam.

Os signatários condenam os despedimentos entre os trabalhadores culturais mas também de trabalhadores da limpeza, carregadores, pessoal de atendimento aos visitantes e outros trabalhadores mal remunerados e precários em museus e galerias e exortam os seus empregadores a reverter estes despedimentos e a garantir remuneração, segurança e proteção razoáveis. Bem como pedem que sejam garantidos contratos para todos os trabalhadores culturais.

Os perto de 500 museólogos que já subscreveram esta carta aberta apelam aos Museus e Centros de Arte Contemporânea que “aproveitem a oportunidade para repensar - com os seus trabalhadores e as suas comunidades - o papel da cultura na época do COVID-19 e as suas consequências”. E que os museus que já estão a fazê-lo avancem e falem em nome dos trabalhadores essenciais visados ​​por esses cortes.

“Exige-se a capacidade de reinventar o papel do Museu nesta pandemia”

O deputado do Bloco Luís Monteiro congratula a iniciativa, à qual se juntou. Na sua página de Facebook, lembra que o caso de Serralves não é único, sendo que “vários museus e centros de arte contemporânea, um pouco por todo o lado, estão a despedir os seus trabalhadores da área da museologia, mais concretamente, dos serviços educativos”.

“Exige-se a capacidade de reinventar o papel do Museu nesta pandemia e não castrar os seus instrumentos e massa crítica num momento tão exigente”, defende.