Morreu Jaime Gralheiro

21 de junho 2014 - 2:05

Faleceu, nesta sexta-feira, Jaime Gralheiro, dramaturgo, advogado, destacado lutador anti-fascista e defensor dos baldios. A Câmara de S. Pedro do Sul, de onde era natural, decretou luto municipal. O corpo estará em câmara ardente no Cineteatro Jaime Gralheiro, em S. Pedro do Sul, e o funeral realiza-se neste sábado às 18 horas.

PARTILHAR
Jaime Gralheiro foi dramaturgo, advogado, destacado lutador anti-fascista e defensor dos baldios

Jaime Gaspar Gralheiro faleceu aos 83 anos. Advogado com escritório em S. Pedro do Sul, Jaime Gralheiro interveio em milhares de processos judiciais, destacando-se a sua intervenção nas questões ligadas aos baldios, de que era um forte defensor. Representou a Ordem dos Advogados como delegado na comarca da sua terra natal, desde o início dos anos 70.

Dramaturgo, escreveu com regularidade, sendo autor de peças como “Onde Vaz Luiz”, "Arraia-Miúda", "Na Barca com Mestre Gil" e da peça infantil "Farruncho". Em 1967 publicou um volume, no qual reuniu as suas peças “Paredes Nuas”, “Belchior” e “Ramos Partidos”.

Foi sempre um firme lutador pela liberdade, tendo participado ativamente antes do 25 de Abril no combate ao fascismo e na oposição democrática. Destacou-se também na defesa da agricultura, dos pequenos agricultores e dos baldios. Após o 25 de Abril de 74, foi presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul até ao verão de 75. Foi militante do PCP.

Lamentando a sua morte, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) salienta que Jaime Gralheiro “foi um dos mais ativos advogados” na questão dos baldios e “na defesa de direitos essenciais dos cidadãos durante a ditadura”.

A SPA destaca também que “a sua obra foi várias vezes premiada e em 1978 foi considerado o autor português mais representado do ano” e realça que “a obra dramática de Jaime Gralheiro, homem de princípios, convicções e palavra firme e clara foi frequentemente representada por companhias profissionais e amadoras”, tendo-se destacado a partir de 1975, como encenador “de uma boa parte das suas peças de teatro”.

“Nos últimos anos canalizou a sua energia criadora para a escrita e publicação de obras de ficção narrativa”, afirma a SPA, de que era associado da SPA desde 1964.

O presidente da Câmara de S. Pedro do Sul, Vítor Figueiredo declarou à agência Lusa que “com a morte de um dos seus mais ilustres o concelho de S. Pedro do Sul fica mais triste”.No passado dia 25 de Abril, a Câmara de S. Pedro do Sul homenageou Jaime Gralheiro e atribuiu o seu nome ao cineteatro local.