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Montenegro quer fugir aos debates, televisões recusam

Após debater com Mariana Mortágua, o líder da AD prefere que seja Nuno Melo a representá-lo nos debates com os líderes da CDU e do Livre. Televisões não aceitam que a AD volte atrás no modelo com que se comprometeu.
Luís Montenegro nos estúdios da TVI no debate com Mariana Mortágua.
Luís Montenegro nos estúdios da TVI no debate com Mariana Mortágua. Foto PSD/Flickr

Luís Montenegro quer ser substituído por Nuno Melo nos debates deste sábado com Paulo Raimundo e do dia 17 com Rui Tavares. Uma intenção rejeitada quer pelos líderes da CDU e Livre, como pelas direções das estações que negociaram com os partidos o modelo dos frente-a-frente televisivos.

“Creio que o gesto de Luís Montenegro será interpretado mesmo como uma grande cobardia”, afirmou Rui Tavares, citado pelo Expresso, enquanto o PCP diz em comunicado que "depois de acordado um modelo de debates entre as televisões e os partidos com representação parlamentar, o PSD e o seu presidente querem agora esconder-se e esconder o seu projecto atrás de pretextos".

O diretor de campanha da AD diz que a substituição de Montenegro por Nuno Melo nesses dois debates foi um assunto "acertado desde a primeira conversa com o representante dos canais de televisão" e dá o exemplo de 2015, quando Passos Coelho se fez substituir por Paulo Portas, então líder do CDS quando o partido ainda tinha assento parlamentar, nos debates com Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, que então decidiu também fazer-se substituir por Heloísa Apolónia.

Em comunicado assinado pelos diretores de informação da RTP, SIC e TVI/CNN, os canais dizem ter recebido a proposta "com alguma surpresa", porque após a AD ter manifestado aquela intenção ainda em dezembro, depois disso os moldes dos debates ficaram “perfeitamente explícitos, reforçados e aceites".

"Não pomos em causa as motivações da AD nem as qualidades do líder do CDS, mas não podemos colocar em risco todo este processo. Recordamos que este modelo foi seguido com êxito desde 2019 em três eleições. A aceitar-se esta exceção, desvirtuar-se-iam o modelo e as condições de equidade propostas a todos, o que não é aceitável e justo”, afirmam António José Teixeira, Ricardo Costa e Nuno Santos.

Os canais sublinham que além do critério editorial, está também em causa a aceitação do modelo que privilegia os partidos com assento parlamentar por parte da Comissão Nacional de Eleições e da Entidade Reguladora da Comunicação, desde que se realizem antes do período oficial de campanha. A presença do líder do CDS implicaria um risco jurídico, pois os restantes partidos sem representação parlamentar teriam razões para exigir estarem presentes nestes frente-a-frente.

Questionada pelos jornalistas sobre o tema esta quinta-feira, à margem de uma visita a uma escola em Lisboa, Mariana Mortágua afirmou não saber "de que tem medo Luís Montenegro para não querer fazer esses debates". Para a coordenadora bloquista, "os debates devem acontecer e os líderes partidários devem representar o seu partido e as suas coligações, tratando todos os partidos por igual, pois de outra forma não faz sentido".

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