O Governo prometeu que regime de lay-off simplificado para os trabalhadores das empresas que deixaram de funcionar por causa dos danos causados pela depressão Kristin seria com os salários pagos a 100%. Mas quando veio o decreto, esses trabalhadores perceberam que afinal só iam receber dois terços do salário. Na quarta-feira o Bloco de Esquerda, PCP e Livre entregaram um pedido conjunto de apreciação parlamentar para que a medida seja discutida no Parlamento e esta quinta-feira o deputado bloquista Fabian Figueiredo quis saber se Luís Montenegro acha “que os trabalhadores que perderam a casa devem ter uma perda salarial”.
Parlamento
Partidos à esquerda juntam-se para repor 100% do salário no lay-off das vítimas da tempestade
O primeiro-ministro não respondeu à questão na primeira resposta, com o deputado do Bloco a concluir que ele “quer mesmo cortar o salário aos trabalhadores”. Na segunda réplica, Montenegro afirmou que “é falso que o governo queira cortar salários” e que está a fazer o contrário ao permitir que a Segurança Social contribua para o pagamento.
“Dizer dessa forma tão genérica e tão simplista que estamos a cortar salários é manifestamente desenquadrado”, prosseguiu Montenegro, sem explicar porque é que o Governo começou por anunciar o pagamento de 100% do salário e a seguir legislado o pagamento apenas de 66% do salário neste lay-off, nem se considera reverter essa decisão. “Se não o fizer, o parlamento tem a obrigação, em nome da solidariedade nacional, de o obrigar a honrar a palavra que deu aos trabalhadores das zonas afetadas”, afirmou o deputado do Bloco.
“O Governo gere a catástrofe com uma gritante falta de empatia”
A resposta imediata do Governo à depressão Kristin foi outro dos temas abordados por Fabian Figueiredo, recordando as palavras do ministro da Economia para que as vítimas pagassem as despesas com o salário do mês anterior, considerando-as “um insulto a quem perdeu a casa”.
Depressão Kristin
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Comentando a frase de Montenegro de que “o Governo esteve no terreno desde a primeira hora”, Fabian Figueiredo recordou que a ministra da Administração Interna esteve nesse dia “numa cerimónia no centro de Lisboa a entregar espadas”, o ministro da Presidência estava a “explorar a sua veia cinematográfica” a fazer vídeos para as redes sociais e o responsável pela proteção civil estava “numa visita de estudo em Bruxelas”. O deputado do Bloco perguntou se os três “não faziam falta na coordenação no terreno nas primeiras horas em que o medo e a incerteza e espalhavam pelo nosso país”.
Na resposta, Luís Montenegro nada disse sobre o comportamento destes três responsáveis políticos e operacionais, argumentando que se recusa a entrar “numa competição moral à volta de quem tem mais empatia”, para a seguir acrescentar que “aos membros do Governo não falta empatia”.