Ministros da UE exigem mais regras para vincular trabalhadores de plataformas

16 de junho 2023 - 19:39

Os governantes cederam às pretensões das plataformas para evitarem vínculos laborais com os trabalhadores. Lei portuguesa garante maior proteção dos trabalhadores e prevalece sobre a futura diretiva.

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Estafeta
Foto de Pedro Gomes Almeida.

O Conselho Europeu do Emprego chegou a um acordo na segunda-feira sobre a redação da proposta de diretiva que irá regulamentar a presunção de laboralidade dos trabalhadores de plataformas digitais.

Os ministros nacionais cederam à pressão das empresas e aumentaram os critérios exigidos para validar a existência de contrato por conta de outrem. Na prática, isto significa dificultar a vinculação laboral dos motoristas ou estafetas.

A proposta da Comissão previa o cumprimento de dois em cinco requisitos, os governos elevam para três em sete indicadores. À lista de cinco condições, o texto acrescenta outros dois pontos: "A plataforma de trabalho digital restringe, inclusive através de sanções, a liberdade de organizar o trabalho, limitando a possibilidade de aceitar ou recusar tarefas; a plataforma de trabalho digital restringe, inclusive através de sanções, a liberdade de organizar o trabalho, limitando a possibilidade de recorrer a subcontratantes ou substitutos".

O comissário europeu do Emprego, Nicholas Schmit, reconheceu que "este processo não foi fácil, falhámos em dezembro, mas, se não tivéssemos conseguido, a negociação teria sido muito mais complicada" e admite que o calendário previsto até ao final deste ano não poderá ser cumprido, alargando-se até ao final do presente mandato. 

Lei portuguesa prevalece e protege mais os trabalhadores

De notar que este não é o último passo no processo legislativo, pois ainda terá que ser votado no Parlamento Europeu. Depois caberá aos Estados-Membros, num prazo de dois anos, transpor a diretiva para a lei nacional com as devidas adaptações. 

No caso português, a lei que entrou em vigor a 1 de maio garante maior proteção dos trabalhadores uma vez que não impõe um número exato de requisitos a comprovar. E será esta a prevalecer.