Bezalel Smotrich, o ministro das Finanças de Israel de extrema-direita, foi gravado num discurso a colonos, em 9 de junho, em que garantia que o governo de Netanyahu está a desenvolver um plano secreto para passar o controlo da Cisjordânia para civis ao seu serviço, tentando ao mesmo tempo escapar ao risco político de ser acusado de anexar o território.
O governo do Estado sionista pretenderia assim impedir que a Cisjordânia integrasse um possível futuro Estado palestiniano.
O conteúdo desta intervenção foi revelado pelo New York Times. O governante assegura que o que está a ser implementado é “megadramático” e são “mudanças que mudam o DNA de um sistema”.
De acordo com o jornal norte-americano, este “delineou um programa cuidadosamente orquestrado para retirar a autoridade sobre a Cisjordânia das mãos dos militares israelitas e entregá-la aos civis que trabalham para o Sr. Smotrich no Ministério da Defesa”. Diz-se ainda que “Partes do plano já foram introduzidas gradualmente ao longo dos últimos 18 meses e algumas autoridades já foram transferidas para civis”.
O próprio Supremo Tribunal de Israel decidiu que o controle sobre a Cisjordânia é “apenas” uma ocupação militar temporária e não uma anexação permanente a ser gerida por civis.
Mas o líder do Partido Sionista Religioso, também conhecido como Tkuma, garante que o que está a ser feito é precisamente essa anexação permanente de uma forma que “será mais fácil de aceitar no contexto internacional e legal. Para que não digam que estamos a fazer uma anexação”.
Smotrich garante ainda que Netanyahu “está connosco totalmente” no plano e que este está alinhado com o acordo da coligação governante. Para ele, esta transferência de poderes terá um impacto mais significativo na mudança de relações de força na região do que qualquer colonato.