Extrema-direita

Ministério Público abre processo a Ventura e Rita Matias por divulgarem nomes de crianças

06 de agosto 2025 - 12:30

Depois da extrema-direita ter usado nomes de crianças para as estigmatizar na altura do debate sobre as alterações às regras da nacionalidade, a Comissão Nacional de Proteção de Dados tinha começado um processo de averiguações. Agora é a vez do Ministério Público avançar para uma investigação.

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André Ventura, Cristina Rodrigues e Rita Matias.
André Ventura, Cristina Rodrigues e Rita Matias. Foto de António Cotrim/Lusa.

O Ministério Público confirmou à agência Lusa esta quarta-feira que instaurou um inquérito ao presidente do partido de extrema-direita Chega, André Ventura, e à deputada do mesmo partido e cabeça de lista por ele à Câmara Municipal de Sintra, Rita Matias. Em causa está a divulgação de uma lista com nomes de crianças imigrantes matriculadas numa escola de Lisboa.

O líder do Chega usou essa lista durante um debate na Assembleia da República sobre as alterações à lei da nacionalidade no início do mês passado. Na altura, André Ventura, aplaudido de pé pela bancada da extrema-direita no Parlamento, declarou “estes senhores são zero portugueses”, mencionando que estas crianças que ele considerou pelo nome que seriam estrangeiras estariam a passar à frente das crianças com nacionalidade portuguesa. Mais tarde, justificou-se dizendo que a lista era “pública”.

Já Rita Matias usou os nomes completos destas crianças num vídeo que publicou nas suas redes sociais. Depois afirmou que não tinha sequer confirmado a “veracidade” dos nomes que expôs.

O episódio gerou protestos de cidadão, associações e partidos políticos e também chegaram à Comissão Nacional de Proteção de Dados várias queixas. Esta informou a 16 de julho que tinha aberto um processo de averiguações por violação do Regime Geral de Proteção de Dados.

Um grupo de pais lisboetas lançou uma carta aberta na altura para mostrar o seu “firme repúdio” por se terem divulgado nomes de crianças de “uma turma de jardim-de-infância de uma escola pública”. Para estes, isto foi feito com o “objetivo claro de alimentar uma narrativa de ódio contra estas crianças, violando direitos fundamentais da Constituição da República Portuguesa”.

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