Extrema-direita

Milícia neonazi apanhada pela PJ inspirava-se no Reichsbürger alemão

20 de junho 2025 - 13:10

Ministério Público acredita que o grupo “Cidadãos do Reich”, desmantelado pela polícia alemã em 2022 quando preparava um ataque ao Parlamento, serviu de fonte de inspiração dos terroristas agora detidos em Portugal.

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armas apreendidas pela PJ
Armas apreendidas pela PJ e símbolo da milícia.

Segundo o Diário de Notícias, o Ministério Público acredita que a principal fonte de inspiração do grupo terrorista Movimento Armilar Lusitano (MAL) era o grupo Reichsbürger (Cidadãos do Reich) alemão, que em 2022 foi alvo de uma operação semelhante à da Polícia Judiciária esta semana. O grupo preparava na altura um ataque armado ao Parlamento alemão e viu serem detidos 25 membros e um grande arsenal de armas, numa operação que envolveu cerca de três mil agentes da polícia.

Este grupo nega a existência de uma república federal e acredita que o atual estado alemão não passa de uma montagem administrativa das potências vencedoras da II Guerra que ainda ocupam o país. As autoridades alemãs dizem que terá 21 mil membros, dos quais 5% serão perigosos extremistas de direita.

O Reichsbürger existe desde 1871 e os seus membros organizam-se em pequenos grupos que recusam a autoridade do estado e o pagamento de impostos, refere a Deutsche Welle. Alguns criaram mesmo os seus territórios autónomos, como o "Segundo Império Alemão", o "Estado Livre da Prússia" ou o "Principado de Germania", imprimindo os seus próprios passaportes e cartas de condução. São sobretudo homens com uma média etária acima dos 50 anos e ganharam apoios durante a pandemia de covid-19, ao recusarem-se a cumprir as medidas restritivas e aliando-se a outros grupos anti-vacinas e negacionistas da covid.

As semelhanças com o MAL português são evidentes quer na forma como ganharam adeptos durante a pandemia, quer no recrutamento preferencial de militares e polícias no ativo ou na constituição de um arsenal de explosivos e armas de fogo, que em Portugal passava também pelo fabrico através de impressoras 3D. Até a intenção de organizar um ataque ao Parlamento, que foi referida em conversas telefónicas pelos elementos que estavam sob escuta da PJ, era comum aos dois grupos.

Esta milícia neonazi portuguesa foi criada em 2018 pelo chefe da PSP Bruno Gonçalves, um motorista que esteve emigrado na Suíça chamado Bruno Carrilho e uma segurança privada que a imprensa identifica como Tatiana L e que não foi agora detida. A tese do Ministério Público, avança o DN, é que Carrilho era o responsável por avaliar potenciais recrutas através de questionários online para avaliar o grau de radicalização, com os candidatos “aprovados” a serem submetidos numa segunda fase a uma entrevista presencial com o agente da polícia. Os que recebiam luz verde deste processo de seleção eram admitidos em grupos privados no Telegram e Signal das células do grupo terrorista e participariam em treinos e formação militar disfarçados de jogos de paintball e airsoft. Alguns dos candidatos vieram da órbita dos grupos neonazis existentes como os Gárgulas de Portugal, Soldiers of Odin, Nova Ordem Portuguesa e Nova Ordem Social, refere o Jornal de Notícias.