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Milhões de mulheres indianas contra proibição religiosa

Duas mulheres desafiaram a proibição de entrada num santuário em Kerala. 5 milhões fizeram um cordão humano em defesa dos direitos das mulheres. Os tradicionalistas hindus manifestaram-se contra e houve confrontos.
Foto de Michael Foley/Flickr

Esta quarta-feira, duas mulheres entraram no templo de Sabarimala. Um ato que não tem nada de corriqueiro. As mulheres entraram num sítio cujo acesso lhes era vedado há 800 anos. Entraram sob proteção policial, depois do Supremo Tribunal indiano ter anulado em outubro a proibição de entrada de mulheres entre os 10 e os 50 anos no templo considerando-a discriminatória.

Depois da visita, o local de culto fechou durante uma hora para os sacerdotes “purificarem” o templo. O templo de Sabarimala é um dos poucos que proibem a entrada de mulheres entre a puberdade mas a maioria dos templos hindus não autoriza a entrada de mulheres durante o período menstrual.

Contra esta atitude, milhares de tradicionalistas manifestaram-se causando distúrbios frente ao parlamento do estado em Thiruvananthapuram. A polícia usou gás lacrimogéneo, granadas atordoadoras e canhões de água contra os manifestantes.

Os tradicionalistas consideram que a proibição se deve manter porque o templo é consagrado a Ayyappa, Deus do crescimento e que é celibatário. Por isso, a entrada de mulheres “impuras”, ou seja menstruadas, seria desrespeitosa.

Contam com apoio do partido no governo, o Bharatiya Janata Party (BJP) do primeiro-ministro, Narendra Modi, que anunciou dois dias de manifestações em Kerala. Durante meses tinham-se concentrado para tentar impedir a concretização da decisão do Supremo Tribunal.

Em sentido contrário a estes manifestantes, estão as mulheres que formaram uma corrente humana a que chamaram “muro das mulheres” e que se estendeu por 620 quilómetros. O governo de Kerala fala em cinco milhões de pessoas.

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