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Milhares em Hong Kong assinalam o 30º aniversário de Tiananmen

A 4 de junho de 1989, o governo chinês lançou o exército contra estudantes e civis que protestavam por reformas democráticas, desencadeando o massacre da Praça de Tiananmen. Este domingo, 2 mil manifestantes assinalaram em Hong Kong os dias que fizeram tremer a China.
Manifestação em Hong Kong pelo 30º aniversário de Tiananmen, 26 de maio de 2019. Foto de Jerome Favre/EPA/Lusa.
Manifestação em Hong Kong pelo 30º aniversário de Tiananmen, 26 de maio de 2019. Foto de Jerome Favre/EPA/Lusa.

Cerca de duas mil pessoas manifestaram-se hoje em Hong Kong numa marcha a assinalar o 30º aniversário do movimento de protesto na Praça de Tiananmen em Pequim, informa a Agência Lusa.

Entre 15 de abril e 4 de junho de 1989, estudantes e jovens intelectuais chineses ocuparam a praça de Tiananmen com sucessivas manifestações contra o governo. Numa época de profundas mudanças na China após as reformas de liberalização económica de Deng Xiaoping durante a década de 1980, a economia chinesa estava em rápido crescimento, que não mais parou até hoje, mas as fraturas sociais e políticas também se agudizavam. Os estudantes protestavam contra a corrupção, a inflação, o caráter repressivo e autoritário do regime. Reclamavam por reformas democráticas, mais participação política, liberdade de discurso e de imprensa.

Durante maio de 1989, um grupo de líderes estudantis entrou em greve de fome e os protestos alargaram-se por todo o país, chegando a mais de 400 cidades. No pico dos protestos, mais de 1 milhão de pessoas encheram a praça de Tiananmen, num movimento que dividiu e fez estremecer profundamente as autoridades chinesas. Numa época em que todo o bloco de países de leste estava em profunda convulsão — o muro de Berlim viria a cair pouco depois, em novembro de 1989 — muitos se questionaram se o fim do regime do Partido Comunista Chinês estaria iminente. Mas a situação económica e social chinesa era muito diferente da Rússia e da Europa de leste, e os acontecimentos tomaram um curso também muito diferente.

A linha dura do regime acabou por prevalecer. A 20 de maio de 1989, o governo decretou lei marcial e mobilizou 300 mil militares em Pequim. A 4 de junho, as tropas carregaram com tanques e dispararam contra os manifestantes que as tentavam impedir de avançar pela praça. Centenas ou milhares de pessoas morreram — as estimativas variam — numa tragédia que ficou conhecida no ocidente como o massacre de Tiananmen. As políticas de liberalização pararam por algum tempo, o regime voltou a endurecer. Ainda hoje, Tiananmen é um dos assuntos mais censurados na China, onde é conhecido eufemisticamente como o "incidente de 4 de Junho".

Quaisquer referência a Tiananmen em manifestações públicas é proibida na China continental, mas em Hong Kong os manifestantes assinalaram o seu 30º aniversário com uma marcha onde empunhavam guarda-chuvas amarelos com o lema: "Apoie a liberdade, oponha-se às leis do mal". Outros carregavam caixões negros pelas ruas e cruzes brancas com os números 6 e 4, uma alusão ao dia e mês da tragédia: 4 de junho de 1989.

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