Milhares desfilaram em Lisboa para exigir uma vida justa

21 de outubro 2023 - 17:29

Milhares de pessoas participaram este sábado na manifestação convocada pelo movimento Vida Justa, em protesto contra o aumento do custo de vida e em defesa de uma casa para viver e do aumento dos salários.

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Frente da manifestação Vida Justa este sábado em Lisboa
Frente da manifestação Vida Justa este sábado em Lisboa. Foto Tiago Petinga/Lusa

"O valor das rendas e dos preços está elevado, o salário não chega para pagar esses preços", afirmou uma das manifestantes à comunicação social, resumindo assim a razão que trouxe muitas pessoas a este protesto na tarde de sábado em Lisboa, entre o Rossio e São Bento, num protesto convocado pelo movimento Vida Justa, nascido nos bairros da periferia lisboeta.


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"Como cidadão sinto que temos sido privados durante muitos anos dos nossos direitos mais simples: habitação, saúde, educação, segurança. Cada vez mais cresce a percentagem de quem não consegue pagar a renda e as contas ao fim do mês", confirmava Diogo, outro dos manifestantes ouvidos pelos jornalistas.

Além dos slogans e faixas sobre salários e habitação, também se fez notar o apoio ao povo palestiniano em muitos cartazes e nas várias bandeiras da Palestina presentes na marcha.

Silêncio do Governo sobre aumento das rendas em 2024 "é um sinal de desprezo pelas pessoas que estão aflitas hoje"

A coordenadora bloquista também marcou presença na manifestação, para levar a solidariedade do partido a este movimento, numa altura em que "metade dos trabalhadores em Portugal recebem mil euros ou menos e há um milhão de trabalhadores que recebe o salário mínimo nacional".

"As contas são muito simples de fazer: como é que alguém que recebe um salário de mil euros paga uma casa para conseguir viver?", questionou Mariana Mortágua, para quem  "o direito à vida justa é sabermos que um salário normal em Portugal é possível para pagar uma casa e uma vida decente".

E para que isso aconteça é preciso fazer de imediato duas coisas: "aumentar os salários, que em Portugal são vergonhosamente baixos" e baixar o preço das rendas e das casas, prosseguiu.  

"Que país é este que anuncia 1.300 euros brutos - que no fim do mês ficam mil euros - como uma grande vitória e um motor de desenvolvimento?", questionou Mariana Mortágua, referindo-se ao anúncio feito na véspera pelo primeiro-ministro de um concurso de contratação de quadros técnicos para jovens. E no caso do preço da habitação, "não há nada que o Governo esteja a fazer que garanta a descida do preço das casas, pelo contrário".

"Se nada for feito, o aumento de rendas no próximo ano será de 6%. O Governo que usa o argumento da estabilidade para impor desinvestimento nos serviços públicos, não é capaz de dizer ao país o que vai fazer, qual vai ser a limitação ao aumento das rendas em 2024. É um sinal de desprezo pelas pessoas que estão aflitas hoje. É incompreensível porque é que passado tantos meses desde que se sabe do aumento das rendas, o Governo nada diga às pessoas", acrescentou a coordenadora do Bloco, voltando a desafiar António Costa para que diga qual será o travão a este aumento a partir de janeiro.

Mariana Mortágua diz que há "milhares de jovens que estão a emigrar porque não conseguem encontrar uma casa em Portugal". E recusa uma política que "em nome dos valores da especulação e da ganância ilimitada" acaba por "privar uma geração inteira de ter acesso à habitação e a uma ideia de família e de futuro".