Milhares de professores saíram à rua em Lisboa

17 de dezembro 2022 - 18:27

A manifestação convocada pelo Sindicato de Todos os Professores culminou uma semana de paralisação nas escolas e ouviram-se palavras de ordem a pedir a demissão do ministro João Costa.

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Manifestação de professores em Lisboa. Foto Belandina Vaz

Milhares de professores manifestaram-se este sábado em Lisboa entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, numa iniciativa com que o Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) encerrou uma semana de greves e concentrações à porta das escolas. André Pestana, o líder do S.TO.P, disse ao Público ter ficado "completamente surpreendido por esta adesão tão grande". "É incrível. E com tanta garra, porque a classe despertou", acrescentou.

“Uma coisa é clara: parecia que a classe docente estava parada e, neste momento, é inegável, está uma grande mobilização, de norte a sul do país”, afirmou o sindicalista à agência Lusa, acrescentando que o ministro da Educação “está claramente incomodado” e “isto é só o início” da “maior luta de sempre”. À chegada ao Largo do Rato, André Pestana anunciou que estavam presentes entre 20 a 25 mil professores neste protesto.

“Sempre dissemos que queremos fazer parte da solução e não do problema. Se o Ministério da Educação reconhecer que tem cometido erros e que vai ceder em questões importantes, estamos disponíveis para negociar”, assegurou o presidente do STOP.

A deputada bloquista Joana Mortágua participou na manifestação e afirmou nas redes sociais que "basta uma gota para transbordar, e os professores estão fartos de serem maltratados. Estão em luta por salários e carreiras dignas. A escola pública depende disso".

“Isto demonstra o sentimento de injustiça que os professores estão a viver. Todos eles. E acho que vamos ver, daqui para frente, grandes mobilizações de professores (…). Frente a uma maioria absoluta que bloqueia, no Parlamento, as propostas para melhorar a carreira dos professores, que bloqueia as negociações, a rua tem de falar”, afirmou Joana Mortágua à agência Lusa.

A manifestação foi anunciada como o local de decisão sobre a continuidade da greve, para a qual o sindicato já entregou pré-avisos para o mês de janeiro. Ficou decidido manter os pré-avisos até 6 de janeiro, com a decisão a caber aos professores de cada escola. Para o dia 27 de dezembro está marcado um encontro nacional para decidir se a greve continua durante todo o mês de janeiro.

Numa marcha sem bandeiras sindicais e com cartazes improvisados pelos participantes, os professores exigiram respeito pela sua profissão e entoaram palavras de ordem a pedir a saída do ministro João Costa. Em causa está a intenção do Governo de mudar o regime de recrutamento e gestão de professores, que o sindicato diz ser "um dos maiores ataques aos professores, ao seu futuro, ao futuro da Escola Pública e da Educação".

O S.TO.P afirma que "se não lutarmos agora, avizinha-se que sejam os diretores (a partir de estruturas de “Conselho Local de Diretores” intermunicipal) a recrutar professores (efetivos e/ou contratados) com base em “perfis” e/ou critérios altamente subjetivos", naquilo que será "o primeiro passo no sentido de um injusto processo de municipalização (que envolve já o pessoal não docente), o que além de potenciar ainda mais as assimetrias regionais e sistemas opacos de recrutamento, não teve a concordância nem dos Professores, nem da maioria dos municípios".

"Quando existirem os mapas de docentes, bastará um pequeno passo para que todos, independentemente do seu vínculo, tempo de serviço, graduação, entre outros critérios, passem a fazer parte dum sistema que fomenta a precariedade, a instabilidade, a submissão ao poder, uma ainda maior desvalorização da carreira, levando a Escola Pública de qualidade, e para todos, ao seu fim", prevê o sindicato.