Quarto dia de greve de professores com adesão “muito significativa”

15 de dezembro 2022 - 10:57

Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) diz que a adesão superou as expectativas e afetou o funcionamento de muitas escolas. No próximo sábado, 17 de dezembro, realizar-se-á uma manifestação nacional na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa. Joana Mortágua afirma-se solidária com esta luta.

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Foto publicada na página de Facebook do sindicato S.TO.P.

O coordenador nacional do Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) explicou, em declarações à agência Lusa, que os professores “têm aderido de forma muito significativa”, e que a mobilização superou as suas expectativas, constituindo uma “lição de cidadania”.

“Não temos ‘feedback’ da maioria dos diretores, mas o que podemos dizer é que, nas redes sociais, é inequívoca a adesão dos professores. Parece que despertaram de um sono profundo”, referiu André Pestana.

Nas redes sociais, e em particular nas páginas do S.TO.P., estão a ser partilhadas imagens que dão conta da paralisação a nível nacional. A mobilização culminará este sábado com uma manifestação nacional na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa: Durante a iniciativa os professores vão decidir da continuidade, ou não, do protesto.

“Se a decisão for parar, o S.TO.P. irá interromper a greve, mas se a maioria quiser continuar, não tenham dúvidas de que a classe pode contar connosco”, apontou o coordenador nacional do sindicato.

André Pestana lembrou que, “antes de esta greve ter começado, já havia dezenas de milhares de alunos que ou não tinham professor a uma ou mais disciplinas, ou tinham professores sem habilitações pedagógicas”, e enfatizou que o alargamento das habilitações próprias às licenciaturas pós-Bolonha, uma medida do Governo para responder à falta de docentes, é prejudicial.

“Foi por falta de greves no passado que estes alunos estão agora a ser amputados do seu direito de acesso à educação”, defendeu. E é por isso mesmo que o protesto é também em sua defesa porque, “mesmo que percam alguns dias de aulas, se a greve for vitoriosa, vai garantir que mais rapidamente resolvemos o problema”.

No próximo sábado, dia 17 de dezembro, realizar-se-á uma manifestação nacional na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa. Nesse dia será decidido se a greve se prolongará.

Bloco de Esquerda solidário com luta dos profissionais da Educação

Joana Mortágua afirma que o Bloco está solidário com a luta de todas as professoras e de todos os professores por melhores condições salariais e pela valorização das carreiras.

O Bloco repudia qualquer tentativa que o Governo faça durante as negociações, que agora estão paralisadas, no sentido de, “por vias travessas, municipalizar ou entregar na mão dos diretores a contratação de professores, regressando a um tempo a que ninguém quer regressar: o tempo da bolsa de contratação de escola, o tempo da iniquidade, o tempo da injustiça”.

“A Escola Pública tem de avançar com os direitos dos professores. Este Governo não pode pôr na mesa propostas que sabe que são inaceitáveis para os professores, para os seus representantes e também para o Bloco de Esquerda”, frisou a deputada.

“Profissionais de Educação têm sido desconsiderados e roubados nos seus direitos”

No pré-aviso da greve convocada pelo S.TO.P., a estrutura sindical clarifica os principais objetivos e enquadramento deste processo, realçando que “todos os Profissionais de Educação (pessoal docente e não docente) têm sido desconsiderados e roubados nos seus direitos, o que se tem traduzido numa maior desvalorização, desmotivação e exaustão destes profissionais essenciais, o que prejudica também as nossas crianças e jovens”.

“Os muitos milhares de alunos sem professor (ou com professor sem formação pedagógica) a uma ou mais disciplinas demonstram inequivocamente que a desvalorização da carreira docente e os sucessivos ataques a esta, prejudicaram não só os próprios docentes bem como muitas dezenas de milhares de alunos nos últimos anos”, escreve o Sindicato.

O S.TO.P. defende que, “para dignificar e valorizar a classe docente, é fundamental, nomeadamente: uma avaliação sem quotas; direito à CGA para todos os Profissionais da Educação; rejuvenescimento da classe e contagem de todo o tempo de serviço docente; gestão escolar democrática; um regime de aposentação especial sem penalização a partir dos 36 anos de serviço e direito a uma pré-reforma digna; atender à situação específica dos professores em monodocência; redução do número de alunos por turma e adoção de medidas para combater a indisciplina; diminuição do excesso de trabalho burocrático e uma definição clara entre componente letiva e componente não letiva; direito à segurança para todos (profissionais e alunos) nas escolas e uma vinculação pelas reais necessidades do sistema educativo”.

Em causa está também o excesso de trabalho burocrático, as recentes alterações à MPD, as ultrapassagens na progressão da carreira docente, a perda brutal de poder de compra (correspondente a 20%) desde 2009, as vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões, a falta de subsídio de alojamento/transporte; a situação dos colegas lesados da SS, a existência de professores sem grupo de recrutamento, entre outros.

Por fim, o Sindicato também não aceita que sejam os diretores (com ou sem conselho de diretores intermunicipal) a recrutar professores (efetivos e/ou contratados) com base em “perfis” e/ou critérios altamente subjetivos.

“Se esta proposta avançar, poderá ser o primeiro passo no sentido de um injusto processo de municipalização (que envolve já o pessoal não docente)”, alerta o S.TO.P..