“Ninguém é ilegal, ilegal é o capital”, “Nem menos, nem mais, direitos iguais”, “Primeira, segunda, terceira geração, nós somos todas filhas de imigrantes”, “Racistas, xenófobos não passarão!”, foram algumas das palavras entoadas ao longo da Avenida Almirante Reis, em Lisboa.
A Manifestação Nacional Contra o Racismo, a Xenofobia e o Fascismo juntou milhares de pessoas na capital que, após se concentrarem na Alameda, marcharam por uma das artérias mais movimentadas de Lisboa, em direção ao Martim Moniz. Muita cor, muita música, muita convicção, muita luta marcaram esta iniciativa, que apelou à democracia e à igualdade e, consequentemente, ao voto contra o racismo nas eleições de 10 de março.
Nos muitos cartazes exibidos pelos manifestantes liam-se frases como “O 25 de Abril nasceu em África”, “O racismo mata, a negação também”, “O racismo ainda não acabou, mas as raças nunca existiram”, “Não há capitalismo sem racismo”, “Imigrantes ficam e fascistas vão-se embora”, ou eram lembrados Marielle, Danijoy Pontes, Bruno Candé ou Alcindo Monteiro, assassinado aos 27 anos, vítima de crime de ódio racial.
A acompanhar a faixa do Bloco, com a frase “A solidariedade vence o ódio”, a candidata bloquista por Lisboa, Anabela Rodrigues, garantiu que o Bloco continuará nesta luta, contra todas as desigualdades e a discriminação.
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Sublinhando que “a luta contra racismo e xenofobia é feita todos os dias”, Anabela Rodrigues defendeu que “é preciso acabar com segregação do ‘nós e eles’”.
A candidata apontou que alguns partidos têm vindo a promover durante a campanha “discursos de segregação” como se “os imigrantes não existissem e não contribuíssem para esta sociedade e para os cofres públicos do país”.
De acordo com Anabela Rodrigues, o racismo está cada vez mais “descarado”, porque “é mais visível” e permanece impune.
Por outro lado, a candidata apontou que a luta antirracista continuará a enfrentar quem quer dividir e semear o ódio neste país, onde foi assassinado Alcindo Monteiro, que nunca será esquecido.

Anabela Rodrigues destacou que o voto no dia 10 de março “é muito importante para provar que somos todos parte desta nação”, e por isso apelou ao voto de todas aquelas pessoas que se levantam às 5h da manhã para limparem casas que nunca vão ter, ou de quem constrói casas nas quais nunca poderão viver.
Manifestação decorreu em oito cidades do país
A par de Lisboa, outras sete cidades portuguesas foram palco de manifestações contra o racismo a xenofobia e o fascismo: Braga, Coimbra, Faro, Guimarães, Lisboa, Portalegre e Viseu.
Na Rua de Passos Manuel, no Porto, também se ouviu o eco das palavras de ordem contra o racismo e a xenofobia e da música do coletivo musical Batucada Radical.
De punho erguido, os manifestantes gritaram que "o povo unido jamais será vencido", apelando ao voto contra "contra o machismo", "pela resistência", "contra a desinformação", "contra a xenofobia" ou contra o "cheiro a bafio".
"A alma não tem cor", "Solidariedade ao poder", "Nenhum ser humano é ilegal", "A escravidão não acabou, só mudou de nome", "A diferença é motivo de celebração e crescimento, não motivo de destruição" ou "Portugal é um país com história racista" foram algumas das inscrições nos cartazes exibidos.
Em Braga, Luís Nuno Barbosa, presidente da Civitas Braga Associação para a Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos, alertou, em declarações ao Diário do Minho, para o “aumento do discurso racista e xenófobo em Portugal”, recordando que há dois dias atrás junto à mesquita de Braga apareceram nas paredes mensagens de ódio contra a população islâmica, lançando entre esta comunidade um sentimento de medo.


Alexandra Vieira, do Bloco de Esquerda,assinalou que o partido defende que “Portugal deve acolher e integrar todas as pessoas na sociedade, independentemente da sua origem, etnia e crença religiosa, o que implica reconhecer direitos para estas pessoas”.


Fotos de João Azevedo.