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Milhares de pessoas ainda esperam por resgate em Moçambique

A devastação e o mau tempo impedem a chegada das equipas de salvamento a muitas áreas afetadas. Ciclone Idai afeta 2.7 milhões em três países.
Sobreviventes do ciclone Idai chegam por mar a uma zona de acolhimento e são ajudados por voluntários da Cruz Vermelha. Foto Denis Onyodi/IFRC-Climate Centre

Uma semana após a passagem do ciclone Idai por Moçambique, Malawi e Zimbabué, ainda não é possível contabilizar a perda de vidas humanas. Há mais de 550 mortes confirmadas nos três países, mas muitas áreas continuam inacessíveis e alagadas pela tempestade que trouxe ventos de 175 quilómetros por hora. O ciclone chegou a terra junto à cidade da Beira durante a maré alta e a parede de água que entrou terra adentro atingiu os seis metros de altura nalgumas áreas. A bacia do rio Púnguè transformou-se num mar interior que pode ser visto do espaço, segundo as imagens de satélite divulgadas pela NASA.

O responsável pela operação da Cruz Vermelha no auxílio às populações afetadas diz que a ajuda está a chegar, mas ainda é insuficiente para conseguir ser levada a todas as populações afetadas. “Muita gente está à espera há dias pelo resgate e apoio”, afirma Jamie LeSueur, acrescentando que a maior preocupação é evitar o alastramento das doenças transmitidas pela água.

Para além disso há a necessidade de albergar as pelo menos 400 mil pessoas que ficaram desalojadas na cidade da Beira. As lonas e kits de emergência para 1.500 famílias levadas pela Cruz Vermelha antes da passagem do ciclone são manifestamente insuficientes para dar resposta às necessidades. Esta sexta-feira devem chegar kits semelhantes para mais 3.000 famílias.

Para a porta-voz da UNICEF, citada pela CNN, “a situação continua crítica”, com a falta de eletricidade e água potável. A ajuda internacional começa agora a chegar e Portugal já enviou técnicos e militares para ajudar nas operações de resgate. Este fim de semana deverá seguir uma equipa do grupo Águas de Portugal com uma estação compacta de tratamento de água para ajudar a restabelecer o fornecimento de água potável.

“Estamos a juntar toda a capacidade técnica para levar geradores e outros equipamentos que fazem falta”, afirmou o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, citado pela agência Lusa.

A União Europeia já recebeu ofertas de assistência por parte de sete estados-membros, que incluem “equipamento de purificação de água, equipas de emergência médica, equipamentos de abrigo e tendas, ‘kits’ de higiene, alimentação, colchões e telecomunicações por satélite para trabalhadores humanitários no terreno”. A Comissão Europeia diz que esta ajuda acresce aos 3.5 milhões de euros já anunciados para o apoio humanitário. A CPLP também anunciou que criará um fundo especial para ajudar as vítimas da passagem do ciclone Idai, agurdando agora pelas ofertas dos países lusófonos.

Portugueses criticam falta de preparação do consulado na Beira

No terreno, as ONG queixam-se de especulação nos preços para levar ajuda a quem precisa. A Esmabama, ONG ligada à Igreja católica, diz que a caução pedida para alugar um helicóptero na África do Sul triplicou em relação ao mês passado. Com as estradas cortadas, esse é o único meio disponível para levar mantimentos às regiões fora da cidade da Beira, onde muitas aldeias ficaram completamente submersas e ainda não é possível sequer obter o retrato completo da destruição provocada pelo ciclone.

Os portugueses residentes na cidade da Beira receberam na quinta-feira o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e criticaram a falta de ação do consulado português. “A nossa desilusão é completa", referiu o empresário Joaquim Vaz, citado pela Lusa. Entre as queixas dos presentes, destaca-se a ausência de informação e de reforço da equipa consular quando já se sabia da aproximação do ciclone, bem como a falta de um telefone satélite do consulado para estabelecer contactos quando as redes móveis ficaram inoperacionais.

Também entrevistado pela Lusa, o presidente da Visabeira Moçambique, uma das maiores empresas portuguesas a operar no país nas áreas das telecomunicações, energia, turismo e construção, afirma que serão precisos pelo menos cinco meses de trabalho intenso para repor a infraestrutura de telecomunicações destruída pelo ciclone. Contudo, prevê que as telecomunicações na cidade da Beira possam estar restabelecidas este fim de semana.

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