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Milhares de aves morrem nas redes de aquacultura, ambientalistas criticam inércia oficial

Os aquacultores têm vontade de resolver problema e os ambientalistas apresentam soluções práticas. Mas Instituto de Conservação da Natureza e governo revelam inércia, diz um conjunto de associações.
Rede de Aquacultura. Foto de National Ocean Service/Flickr.
Rede de Aquacultura. Foto de National Ocean Service/Flickr.

Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Associação Milvoz, Associação Natureza Portugal, Scianea, GEOTA e Observatório do Mar dos Açores juntaram-se para condenar a falta regras no que diz respeito às redes das aquaculturas que estão a levar à “morte lenta” de aves selvagens.

Condenam tanto o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que regulamenta o setor, quanto o governo por “inércia” e garantem que há forma de resolver o problema. Joana Andrade, coordenadora do Departamento Conservação Marinha da SPEA, defende que há “soluções técnicas, existe abertura por parte do sector, mas falta claramente vontade política, tanto no Ministério do Ambiente como no Ministério do Mar, para impedir que as aves continuem a morrer”.

Esta organização garante compreender que os aquacultores, “para proteger o seu sustento”, coloquem redes sobre a superfície dos tanques para impedir que aves como corvos-marinhos, águias, garças e outras aves cheguem ao peixe. Culpa o ICNF porque seria esta entidade que deve licenciar as redes para garantir “que não sejam afetadas espécies protegidas”. Dado o “grande número de aquaculturas em Portugal” que “têm instaladas redes onde ficam presas todos os anos inúmeras aves, incluindo espécies protegidas como a águia-sapeira e o pernilongo”, “é evidente que as autoridades responsáveis pela monitorização e fiscalização das aquaculturas não estão a cumprir o seu dever”.

A responsável da SPEA recorda ainda que “existem fundos europeus para mitigar o impacto ambiental das aquaculturas, que estão muitas vezes localizadas em áreas protegidas”, sendo “urgente mobilizar esses fundos”.

Os ambientalistas também vincam que tanto Associação Portuguesa de Aquacultores quanto vários aquacultores se mostram empenhados em encontrar soluções e alguns têm-se-lhes dirigido em busca de conselhos. Assim, este conjunto de organizações delineou um conjunto de procedimentos que os aquacultores deveriam seguir sempre que encontrassem aves nas suas redes mas estes “não chegaram a ser divulgados” pelas autoridades.

Em vez das redes de fio de nylon fino e transparente, praticamente invisível para as aves, podem ser utilizadas redes pretas mais visíveis, pode ser usada uma malha mais apertada que evitaria que as aves ficassem presas e podem ser usadas ainda medidas para afugentar as aves, como fitas coloridas ou réplicas de predadores.

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