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Migrantes da América Central procuram fugir da violência

Trump gosta de dar uma imagem diferente dos migrantes que chegam à porta do seu país. Mas segundo um estudo dos Médicos sem Fronteiras mais de dois terços dos migrantes da América Central fugiram na sequência de atos violentos contra membros da sua família. Na travessia e na fronteira dos EUA deparam-se também com violência.
Migrantes detidos na fronteira com EUA. Junho de 2019.
Migrantes detidos na fronteira com EUA. Junho de 2019. Foto de U.S. Customs and Border Protection/Flickr.

Os Médicos Sem Fronteiras lançaram esta terça-feira um estudo sobre a realidade dos migrantes que saem de países como a Guatemala, Honduras e El Salvador. Segundo a organização, grande parte dos migrantes da América Central estão em fuga da violência vivida nos seus países.

Segundo os números apresentados no relatório “Sem Saída”, que contou não só com 480 entrevistas a migrantes mas também com relatos do pessoal dos Médicos Sem Fronteiras no terreno, mais de dois terços viram elementos da sua família desaparecerem, ser raptados ou mortos. 42,5% dos entrevistados destes países dizem que pelo menos um familiar seu foi morto de forma violenta nos últimos dois anos, 16,2% dizem que um familiar desapareceu à força e 9,2% que alguém da sua família foi raptado.

Ao viajar para norte, em busca de chegar aos Estados Unidos, mais de metade deles são sujeitos a situações de violência, indica o mesmo documento: 39.2% dos migrantes relatam terem sido violentamente assaltados no México, 27,3% dizem que foram ameaçados ou extorquidos, 6% dizem que assistiram a alguém morrer durante essa travessia, em 17,9% destes casos tratou-se de um assassinato.

Aqueles que consegue chegar à fronteira com os EUA ficam “encurralados entre o perigo no México e as políticas desumanas de asilo em ambos os lados da fronteira”. Na sequência da pressão de Trump, o México endureceu a sua política tentando travar o fluxo migratório na fronteira sul e colocando no terreno uma força de polícia especial para o efeito. Os migrantes que ficam “presos num círculo vicioso” na zona da fronteira norte com os Estados Unidos são considerados presas fáceis para os cartéis de droga e outras redes criminosas. Por isso, a instituição defende que EUA e México devem terminar com estas “políticas duras” e “assegurar que as pessoas são protegidas e tratadas com dignidade”

Para quem consiga chegar aos EUA, a situação está longe de ser aceitável. As condições de detenção descritas pelos deportados são “terríveis”: por vez retidos em celas frias (conhecidas como as “geladeiras”), com luzes acesas 24 horas por dia, acesso limitado a cuidados de saúde, sem comida adequada, roupa ou cobertores.

Como uma zona de guerra

O coordenador dos MSF no México, que trabalha com estes casos, esclarece que “em muitos casos, é claro que a migração é a única saída. Ficar não é uma opção.” Aliás, 36,4% de entre o conjunto das pessoas analisadas pelo estudo já tinham sido obrigados a fugir da área em que habitavam e encontravam-se deslocados no interior do seu próprio país.

Os Médicos sem Fronteiras dizem haver provas médicas destes altos níveis de violência “comparáveis aos encontrados em zonas de guerra em que os MFS têm trabalhado durante décadas”. A organização não tem dúvidas em concluir que “a criminalização da migração intensifica o perigo para a saúde e segurança” destas pessoas.

Cerca de 500 mil pessoas por ano fogem destes três países. Os Médicos sem Fronteiras dizem que as medidas do México e dos EUA agravam esta crise humanitária.

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