Segundo o semanário Expresso, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) vai investigar o que realmente aconteceu na madrugada de terça-feira, quando a PSP perseguia quatro jovens num descampado próximo do Palácio de Queluz, após a denúncia de desacatos em Queluz de Baixo. Os jovens têm entre 15 e 16 anos e foram atingidos por balas nas pernas e braços.
A PSP emitiu um comunicado com a sua versão dos acontecimentos, em que garante que deu ordens aos suspeitos em fuga para pararem, tendo disparado tiros de shotgun para o ar. Em seguida, refere que “um dos agentes que perseguiu o grupo mais numeroso terá sido surpreendido pelos mesmos, recorrendo à sua arma de serviço, tendo efectuado disparos” que atingiram os três menores em fuga. Em seguida admite que após terem sido revistados, "não foram encontradas quaisquer armas na posse dos jovens".
Os menores foram atendidos no local pelo INEM e transportados ao Hospital Amadora Sintra, onde ainda se encontram, mas livres de perigo. Para além dos três feridos, a PSP deteve outros três jovens do mesmo grupo. Quatro foram identificados, por terem menos de 16 anos.
Este é o segundo inquérito aberto este mês pela IGAI à atuação da PSP, depois do caso da morte de um jovem de 18 anos que escapava a uma operação stop no bairro das Manteigadas em Setúbal. Rúben Marques vivia no bairro da Bela Vista e ao fugir da brigada policial, que disparou tiros de shotgun, acabou por se despistar e morrer no local. Centenas de pessoas participaram no funeral de Ruben, depois de uma noite de tensão no Bairro, com grupos de jovens a incendiarem caixotes do lixo em protesto contra a violência policial.