Gauguin nasceu, em Paris, a 7 de junho de 1848. A avó materna, Flora Tristan, era uma militante operária e reivindicava ter origem peruana. O pai, jornalista republicano, foi obrigado a exilar-se depois do golpe de Estado de Napoleão III, levando a família para Lima (Peru). Por isso o pintor cultivaria ao longo da sua existência supostas "origens incas".
Em 1855, Gauguin voltou para o seu país. Estudou em Orleans e, aos 17 anos, ingressou na marinha mercante, percorrendo o mundo. Em 1888, trabalhou numa corretora de valores parisiense. Aos 35 anos, após a quebra da Bolsa de Paris, tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura.
As suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo com a aplicação arbitrária das cores. Ao simplificar os seus desenhos e cores, Gauguin afastou-se da imitação da natureza.
Gauguin participou nos últimos lampejos do impressionismo. Depois, engajou-se na arte do simbolismo e na arte decorativa. Em 1886, em busca de novas sensações, estabeleceu-se na Bretanha, onde se encontrou com outros pintores de vanguarda.
Em 1888, após uma viagem pela América do Sul e Central, Gauguin recebeu uma proposta de Vincent Van Gogh para se juntar a ele em Arles - casa onde o pintor projetava criar o "Atelier do Meio Dia". O encontro viria a ser pontilhado de brigas a ponto de Van Gogh, num momento de desespero, ter cortado a sua orelha.
De regresso a Paris, Gauguin aproveitou a venda de algumas telas para organizar a sua viagem para o Taiti. O seu estilo foi adotado por jovens artistas da Escola de Pont-Aven, entre os quais Emile Bernard e Paul Sérusier, dando origem ao movimento "Les Nabis".
No Taiti, Gauguin procurou entre os indígenas maoris novas fontes de inspiração, mas a realidade dececionou-o e regressou à Europa, em julho de 1893.
Gauguin voltou ao Taiti, em setembro de 1901. Na Polinésia Francesa, comportou-se como um colono comum, menosprezando os indígenas. Morreu na miséria, a 8 de maio de 1903, nas Ilhas Marquesas.
A obra de Gauguin, longe de ser enquadrada nalgum movimento, foi tão singular como as de Van Gogh ou Paul Cézanne. Apesar disso, teve seguidores e foi fundador do grupo "Les Nabis", que, mais do que um conceito artístico, representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida.
Por António José André.