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Memórias: Alexandre de Fisterra

No dia 9 de fevereiro de 2007, morreu Alexandre de Fisterra. Foi um dos inventores do futebol de mesa ou jogo de matraquilhos. Também foi um poeta, editor e exilado, entre muitas outras coisas. Por António José André.
Alexandre de Fisterra foi um dos inventores do futebol de mesa ou jogo de matraquilhos
Alexandre de Fisterra foi um dos inventores do futebol de mesa ou jogo de matraquilhos

Alexandre de Fisterra nasceu, no dia 6 de maio de 1919, em Fisterra (Corunha). Ali viveu até aos 5 anos, mudando-se depois para a cidade da Corunha. Em 1934, foi tirar um bacharelato em Madrid.

Entretanto, a sapataria do pai faliu. Alexandre tinha 9 irmãos e o pai deixou de poder pagar-lhe o colégio privado onde estudava. O diretor pô-lo a corrigir deveres dos alunos, pagando assim a sua matrícula.

Alexandre de Fisterra trabalhou na construção civil e numa tipografia. Conheceu León Felipe e com Rafael Sánchez Ortega editaram o jornal "Paso a la juventud", que foi vendido nas ruas.

Em Novembro de 1936, Alexandre ficou soterrado num dos bombardeamentos de Madrid durante a Guerra Civil Espanhola. Foi para Valência, mas os seus ferimentos eram graves e levaram-no para um hospital de Montserrat.

No hospital, conheceu muitos jovens, feridos como ele, incapazes de jogar futebol, e assim pensou num jogo de futebol, inspirando-se no jogo de ténis de mesa.

Alexandre confiou a um amigo, Francisco Xavier Altuna, carpinteiro basco, o fabrico do seu primeiro jogo de matraquilhos. Não o pôde comercializar, pois todas as fábricas de jogos estavam a fabricar armas para a guerra.

Em janeiro de 1937, Alexandre patenteou a sua invenção, em Barcelona. Devido ao triunfo franquista, teve de se exilar. Atravessou a pé os Pirenéus e por causa da chuva, que caiu durante 10 dias, perdeu a patente que levava.

Estando em París, no ano de 1948, Alexandre conseguiu uns vistos que lhe permitiram viajar para Quito (Equador), onde fundou a revista "Ecuador". Em 1950, teve que fugir para o México, por causa do golpe de Estado.

Em 1952, Alexandre foi para a Guatemala, onde aperfeiçoou o jogo incorporando barras de aço e melhorando a qualidade do material. Depois, começou a fabricá-lo e tentou comercializá-lo.

Na década de 1960, Alexandre foi enviado de avião para o Panamá. Durante o voo, ameaçou o piloto, dizendo-lhe que tinha explosivos. Esse deve ter sido um dos primeiros desvios de avião.

Alexandre surpreendeu-se ao ver que os jogo de matraquilhos se estendera amplamente, em Espanha, já que grande parte da sua divulgação se deveu a fabricantes valencianos, que o assumiram como um jogo nacional.

Mais tarde, Alexandre foi para o México onde encontrou amigos poetas e escritores. Assim, dedicou-se às artes gráficas. Fundou e presidiu ao "Editorial Finisterre Impresora". Editou a revista do centro galego do México..

Após a morte do ditador Franco, Alexandre Fisterra voltou para Espanha, onde continuou a escrever. Faleceu em Zamora, com 87 anos. As suas cinzas foram lançadas no rio Douro e no Atlântico.

Artigo de António José André para esquerda.net

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