Esta segunda-feira, os membros do Movimento 5 Estrelas (M5S), o maior partido do parlamento da Itália, decidiram que não dariam prosseguimento ao processo contra Matteo Salvini, ministro do Interior e vice primeiro-ministro. Salvini é acusado de sequestro, abuso de poder e prisão ilegal.
A decisão foi tomada na sequência de uma votação online através da plataforma Rousseau, entre as 10 e as 21h30. No total, 59,05% dos votos foram contra o processo e 40,95% foram a favor. A pergunta levada a votação era: “O atraso no desembarque do navio Diciotti, para redistribuir os migrantes nos vários países europeus, aconteceu para proteger um interesse do Estado?” Houve 52.417 pessoas a votar, sendo que 30.948 disseram que sim. O sim garantiria a imunidade de Salvini; o não concederia a autorização para se prosseguir com o processo.
Com este resultado, diz o M5S, a maioria afirmou que a apreensão do navio ocorrou para a proteção de um interesse do Estado. Salvini, por sua vez, agradeceu o resultado da votação.
O inquérito contra Salvini diz respeito ao caso do navio Diciotti, que esteve cinco dias bloqueado na Sicília com 177 migrantes a bordo, em agosto de 2018. Para prosseguir, a investigação precisa de ser autorizada pelo Senado, na medida em que Salvini também é senador e tem foro privilegiado.
O M5S, que governa o país em aliança com a Liga e sempre defendeu o fim da imunidade parlamentar, teria de garantir 107 votos (de 320) para que o julgamento não acontecesse.
Salvini já afirmara em janeiro estar confiante do apoio dos senadores do seu partiro. O apoio do M5S, partido de coligação, não seria tão garantido, já que um dos princípios do partido sempre foi pedir a renúncia de políticos sob investigação.