Trulicity e Ozempic serão nomes desconhecidos para a maioria das pessoas. Assim como dulaglutido e semaglutido, o nome das substâncias ativas destas marcas vendidas em Portugal para controlo da diabetes. Mas para quem precisa destes medicamentos, têm sido repetidos de farmácia em farmácia devido à sua escassez. E sem sucesso em muitas das vezes.
O Jornal de Notícias falou com pacientes, farmacêuticos e outros especialistas que são unânimes ao apontar uma das razões da falta dos medicamentos: para além da sua finalidade original, são usados ainda para perda de peso.
José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, deu a conhecer àquele jornal que a instituição já em janeiro tinha pedido uma reunião ao Infarmed para “tentar encontrar soluções”. O médico esclarece que as dificuldades de acesso não se limitam ao nosso país, mas que aguardam a reunião “para tentarmos encontrar soluções que não permitam que esta situação se mantenha”.
João Jácome de Castro, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, confirma que “tem havido uma enorme procura internacional por estes medicamentos” porque “são eficazes e seguros no controlo da diabetes” e há “estudos muitíssimo importantes na área da perda de peso”. Para ele, contudo, “deve ser dada prioridade às pessoas que têm diabetes e às que já estão a fazer terapêutica com eles”. O especialista explica que as farmacêuticas que produzem estas substâncias, a Novo Nordisk e a Lilly, são igualmente as principais produtoras de insulina, sendo que “têm de assegurar a produção de insulina”. O sucesso é tal que o valor de mercado da primeira, uma empresa dinamarquesa, passou em 2022 a superar o PIB do seu país.
Sem medicamentos suficientes, multiplicam-se listas de espera. O mesmo órgão de comunicação social falou com Pedro Costa, um paciente de diabetes de tipo 2, que está na lista de espera de quatro farmácias para adquirir o dulaglutido, tendo já sido obrigado por duas vezes a adiar o tratamento por falta do medicamento.
O Infarmed garante que não há “rutura” mas os farmacêuticos ouvidos pela reportagem confirmam que há “muito pouca quantidade destes medicamentos por semana para o número de pedidos”, palavras de Joana Lemos, da farmácia do Lago.