Theresa May tinha adiado a votação do Brexit para 14 de Janeiro, um mês depois do esperado, tentando ganhar tempo para renegociar o acordo do Brexit com a União Europeia. Corbyn respondeu a este adiamento, que classificou como “inaceitável”, com a apresentação de uma moção de desconfiança à primeira-ministra.
It is unacceptable for the country to wait another month before Parliament has the chance to vote on Theresa May's botched deal.
Therefore I have tabled a motion of no confidence in the PM this evening, so Parliament can take back control. #NoConfidence pic.twitter.com/IRXeaScpZm
— Jeremy Corbyn (@jeremycorbyn) 17 de dezembro de 2018
Entretanto, May ripostou afirmando que a moção de censura de Corbyn é uma “acrobacia” e anunciou que não vai conceder-lhe tempo de debate no parlamento. Em causa está o fato da moção de desconfiança de Corbyn se dirigir especificamente à primeira-ministra e não ao conjunto do governo, o que não implicaria, caso fosse aprovada, a convocatória de eleições. A primeira-ministra britânica desafia portanto Corbyn a apresentar uma moção de censura deste tipo, ao mesmo tempo que reúne o governo para preparar um plano para a eventualidade de uma saída não negociada da União Europeia.
Com a questão da Irlanda do Norte a assombrar a saída do Grã-Bretanha da União Europeia, os deputados do Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte são o fiel da balança que permite a May governar em minoria. Opõem-se a este acordo de Brexit e pedem “clareza” a May sobre o que pode ser renegociado com Bruxelas. Estão contra o estatuto especial previsto para a Irlanda do Norte, que permitirá não fechar a fronteira entre as duas zonas da Irlanda, por considerarem que este ameaça a relação com a Grã-Bretanha. Nigel Dodds, líder dos unionistas, afirma que não apoiarão “esta moção, não pensamos que seja o tempo certo” mas não garante o voto de apoio ao governo numa moção de censura mais ampla.
Por sua vez, os setores parlamentares conservadores eurocéticos anunciaram, no seguimento da vitória de May na votação interna na bancada dos Tories de um voto de confiança, que não apoiarão qualquer moção de desconfiança de Corbyn seguindo assim a decisão do partido.
Em sentido inverso, o Partido Nacionalista Escocês, os Liberais Democratas, o Plaid Cymru e uma deputada dos Verdes vão tentar introduzir na moção de desconfiança trabalhista uma emenda que a torne uma moção de desconfiança no governo.