Mariana Mortágua defendeu apoios à autonomização das pessoas com deficiência

03 de fevereiro 2024 - 13:58

Num país onde as respostas às pessoas que precisam de cuidados passam sobretudo por sobrecarregar as famílias ou pela institucionalização, Mariana Mortágua foi a um treino de boccia na Arrentela defender que Portugal deve investir e aprofundar o modelo de vida independente introduzido por iniciativa do Bloco.

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Mariana Mortágua com praticantes de boccia este sábado na Arrentela.
Mariana Mortágua com praticantes de boccia este sábado na Arrentela. Foto Ana Mendes

Mariana Mortágua esteve este sábado na Arrentela, concelho do Seixal, numa visita à escola de Boccia na EB. Dr. Augusto Louro, onde assistiu e participou num treino deste desporto e conversou com dirigentes da Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal (APCAS). Em declarações no final da visita, afirmou que hoje em dia há em Portugal duas formas de lidar com as pessoas que precisam de cuidados: uma é "deixá-las entregues às famílias e, portanto, a si mesmo e às suas famílias" e a outra é "a institucionalização e colocar essas pessoas numa situação de dependência ou de internamento numa instituição".

"Nós temos que pensar numa outra forma de poder responder às pessoas que precisam de cuidados. E essa forma é respeitar a sua independência, respeitar a sua autonomia, respeitar a sua vontade e a forma como querem viver a vida", prosseguiu a coordenadora do Bloco, que quis com esta visita "relembrar que apoiar as pessoas com deficiência significa respeitar a sua autonomia, o que quer dizer que tem que haver verba para, por exemplo, assistentes pessoais", o que permite que estas pessoas consigam ter uma vida autónoma. "E quando falamos em desporto adaptado e desporto inclusivo, temos que nos lembrar que é necessário apoio ao desporto, mas também apoio a todas as necessidades que permitem este desporto", para que estes atletas possam "ter condições para poder fazer as suas escolhas, ir aos seus treinos, ter a sua vida de forma autónoma. E é nesse sentido que tem que caminhar a organização dos cuidados em Portugal".

"Estivemos a falar com dezenas de atletas que praticam boccia todos os dias e é importante que o país conheça não só as melhores práticas, e aqui estão as melhores práticas, mas que elas sejam universais e se compreenda o que é que impede tanta gente de poder aceder agora à prática desportiva. Os apoios são para o desporto adaptado, mas também tem de ser para que as pessoas possam, com autonomia, aceder ao desporto e praticá-lo", prosseguiu.

Portugal continua a ter "enorme incapacidade" para responder a pessoas que precisam de cuidados

A coordenadora bloquista diz que o país continua a ter "uma enorme incapacidade para responder a pessoas que precisam de cuidados", tanto no caso da população mais velha como das pessoas com deficiência. Para mudar este paradigma, "a resposta que o Estado tem que dar não pode ficar apenas nos lares, nas instituições onde estas pessoas têm que viver. Porque muitas destas pessoas podem e devem ter uma vida autónoma, independente, e cabe ao Estado assegurar que essa vida pode ser vivida de forma independente e é por isso que insistimos tanto nos assistentes pessoais e na verba" que possibilita esse recurso.

Mariana Mortágua recordou que "a vida independente, como uma resposta do Estado, foi introduzida pelo Bloco de Esquerda, quando o Bloco de Esquerda tomou a decisão de incluir pessoas com deficiência nas suas listas eleitorais. E foi essa participação que nos permitiu ter vida independente como uma prioridade, foi essa participação que nos permitiu adaptar a Assembleia da República, para que pela primeira vez tivéssemos pessoas na Assembleia da República numa cadeira de rodas, por exemplo, e foi com essa luta que aprendemos. E é por isso que em Portugal há hoje respostas de vida independente, que passam por um apoio social, mas passam também por um projeto piloto de assistentes pessoais".

"Assistentes pessoais é a diferença entre uma pessoa com deficiência ser institucionalizada ou depender da família, ou poder ter decisões sobre a sua própria vida. E neste momento o que defendemos é que toda a gente, independentemente dos sítios onde viva, possa ter acesso a estes mecanismos que garantem a sua independência", acrescentou a coordenadora do Bloco, incluindo também o apoio às práticas desportivas, que "tem de ser uma resposta do Estado, não só financeira, mas do campo de possibilidades que abre. É preciso olhar de outra forma para os cuidados e para a forma de autonomização das pessoas com deficiência".

Questionada pelos jornalistas sobre as sondagens que têm sido publicadas sobre as próximas legislativas, Mariana Mortágua respondeu que "elas já enganaram o país no passado e acho que o país está vacinado relativamente a sondagens". A pouco mais de um mês da ida às urnas, a coordenadora bloquista diz que "a procissão ainda vai no adro" e acredita que Portugal "vai ter no dia a seguir às eleições uma maioria capaz de resolver os problemas da habitação, os problemas da saúde. capaz de ter medidas para subir os salários. É isso que conta". Recorrendo às regras do desporto que acabara de praticar, que estipulam que quem está em desvantagem começa a jogar, Mariana diz que "esse é o tipo de solidariedade e de decência que queremos ver na sociedade portuguesa. E também é por isso que vamos ter uma maioria a seguir ao 10 de março".