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Manuel Pinho terá comprado apartamento de luxo em Nova Iorque com dinheiro do GES

Um milhão de euros terá sido o preço de um apartamento em Nova Iorque comprado pelo ex-Ministro da Economia Manuel Pinho. O dinheiro terá vindo da avença mensal que tinha no Grupo Espírito Santo (GES), segundo um despacho do caso EDP consultado pelo Correio da Manhã.
Manuel Pinho, acompanhado por Hélder Amaral, no início da sua audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. 17 de julho de 2018. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Manuel Pinho, acompanhado por Hélder Amaral, no início da sua audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. 17 de julho de 2018. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Manuel Pinho, ex-ministro da Economia no governo de José Sócrates, é dono de um apartamento de luxo em Nova Iorque. O imóvel, que custou cerca de um milhão de euros, terá sido comprado com dinheiro da avença mensal recebida do Grupo Espírito Santo (GES) em junho de 2010.

A Espírito Santo Enterprises terá pago 15 mil euros por mês ao ex-ministro entre março de 2005 e julho de 2009, 1.265 milhões de euros no total de dinheiro que, avança o Correio da Manhã, está sob suspeita de pertencer a um saco azul do GES. Este jornal divulga esta segunda-feira o texto do despacho do caso EDP em que os procuradores Casimiro Nunes e Hugo Neto chegam a estas conclusões: “o arguido Manuel Pinho reside em Nova Iorque, num apartamento em nome da sociedade offshore por si controlada Blackwade Holding Limited, adquirido por cerca de um milhão de euros provenientes da sua avença mensal do GES/BES”

Até se materializar num apartamento no Edifício Platinum, perto da Broadway, este dinheiro terá feito uma viagem por offshores, a Mesete II e Tartaruga Foundation, pertencentes a Manuel Pinho, para depois a compra ser concretizada por um terceiro offshore, a Blackwade Holding Limited, sediado nas Ilhas Virgens Britânicas.

A investigação dos procuradores fixava-se no caso EDP no qual Manuel Pinho é suspeito de ter recebido 1,2 milhões de euros desta empresa para além desta ter patrocinado um contrato para o ex-governante dar aulas na Universidade de Columbia. Pinho terá sugerido à Universidade o apoio da Horizon, a filial norte-americana da elétrica portuguesa, e pedido para que este patrocínio da EDP fosse escondido da imprensa portuguesa. Investiga-se a possibilidade de, em troca, o ex-ministro ter favorecido esta empresa oferecendo-lhe as rendas excessivas já investigadas no âmbito de uma Comissão Parlamentar de Inquérito cujo relator foi o deputado bloquista Jorge Costa.

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