Manifestaram-se pelo direito de usar telemóvel, acabaram despedidos

15 de outubro 2023 - 11:14

O aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, proibiu os trabalhadores de empresas terceirizadas de usar telemóveis em várias partes das instalações por “razões de segurança”. Estes revoltaram-se, pararam durante um dia e manifestaram-se. Agora perto de 300 foram despedidos.

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Foto de Frankley Alves/Brasil de Fato.
Foto de Frankley Alves/Brasil de Fato.

Os trabalhadores contratados por empresas de prestação de serviços do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, estão a ser despedidos depois de se terem manifestado no passado dia 3 de outubro pelo direito de utilizar telemóvel.

De acordo com o Brasil de Fato, a medida atinge “cerca de 300 terceirizados”, contratados por empresas como a Swissport, WFS Orbital e Dnata, que estão a ter as credenciais retidas pela concessionária das instalações, a GRU Airport, e a serem intimados a depor na Polícia Federal.

O protesto terá durado entre as 4 horas da manhã e as 0 horas com os trabalhadores a percorrerem as instalações gritando palavras de ordem e com uma faixa na qual se podia ler “Somos trabalhadores, não somos bandidos – Libera o celular”. A ação não foi organizada por nenhum sindicato.

O protesto dizia respeito a uma proibição do uso de telemóveis implementada há cinco meses no Terminal de Cargas, nas áreas restritas, nas áreas controladas dos terminais de passageiros e locais de movimento de aviões. A justificação apresentar é o “combate ao crime”, tendo a medida surgido na sequência de um caso em que duas cidadãs brasileiras ficaram 38 dias presas na Alemanha depois das etiquetas das suas malas terem sido trocadas por outras malas com cocaína.

Aquele órgão de comunicação social falou com vários destes trabalhadores que estão revoltados com o sucedido. Utilizando pseudónimos para não serem identificados, criticam a falta de “liberdade de expressão” e a falta de “democracia”, o facto de não terem sido ouvidos, estarem a “pagar pelo crime dos outros” e a serem “tratados preventivamente como bandidos”.

A favor da sua exigência referem que “muitos aqui têm filhos, alguns até especiais, tem pais e mães idosos” e que, por isso, necessitam de manter abertos canais de comunicação com as famílias. Para além disso, alegam que a fila para entrega dos telemóveis demora duas horas e que, dessa forma, estão a ser obrigados a entrar no emprego muito antes do seu horário de trabalho efetivamente começar.

Sentem-se “coagidos, perseguidos e humilhados” e salientam que na ação de protesto “não teve bagunça, não teve quebra-quebra, ninguém brigou, ninguém quebrou nada”. Há até o caso de um trabalhador despedido apesar de ter estado de férias no dia da paralisação, tendo as empresas recorrido a imagens de vídeos para identificar os participantes na manifestação.