Manifestantes voltam a marchar em Lisboa ao som de “Grândola, Vila Morena”

26 de outubro 2013 - 16:42

Em Lisboa, a manifestação, que reuniu milhares de pessoas, começou e acabou ao som de Grândola, Vila Morena. O Bloco de Esquerda frisou que este protesto é "mais uma prova do descontentamento dos portugueses contra um Governo que traiu o seu país e está a destruir Portugal".

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Foto de Paulete Matos.

Foi de punho erguido que os milhares de manifestantes entoaram a canção de José Afonso, presente em vários dos protesto promovidos contra o Governo, a troika e as suas medidas de austeridade. No final da canção, os manifestantes gritaram “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e continuaram a marcha até à Assembleia da República.

A manifestação foi encabeçada pelos organizadores da iniciativa que ostentavam uma faixa onde se lia “Que se lixe a troika! Não há becos sem saída”. Exibiram-se vários cartazes artesanais com frases como “Governo: Rua”, “Gatunos”, Ladrões” ou “Não à ‘troika’, não à fome”. Foram ainda entoadas palavras de ordem como “Está na hora de o Governo se ir embora”, “Sai da toca, coelho”, “Nós só queremos coelho à caçador”, “Um, dois, três, Abril outra vez” ou “Vamos lá ver quem define o meu salário, se o povo unido ou o fundo monetário”.

O movimento (d)Eficientes Indignados fez notar a sua presença, sendo que os seus membros carregaram, em alguns casos nas suas cadeiras de rodas, cartazes com frases como “Não às pensões de miséria” e “Sim à inclusão”.

Algumas dezenas de pessoas associadas ao ”Manifesto pela cultura” juntaram-se ao protesto. Pela “defesa da cultura”, estes manifestantes gritaram “cultura na rua, a luta continua” e “no teatro e na rua, a luta continua”.

Um grupo de manifestantes entrou nas instalações da loja do Macdonald's situada na Avenida D. Carlos I, gritando frases contra a precariedade e o sistema capitalista. Cinco minutos depois, saíram ordeiramente, sem causar quaisquer danos.

Ainda antes do início da manifestação, o secretário geral da CGTP, Arménio Carlos, frisou que é tempo "de juntar forças e vontades" contra “as políticas desenvolvidas e, particularmente, contra um orçamento brutal que asfixia a economia e esmaga os rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas".

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, salientou que esta manifestação é "mais uma prova do descontentamento dos portugueses contra um Governo que traiu o seu país e está a destruir Portugal".

"Este Governo nunca disse em eleições que ia cortar nos salários e nas pensões, apenas nas gorduras", avançou a dirigente bloquista, criticando a proposta do Orçamento de Estado para 2014, que "dá perdões às grandes empresas e ataca o país".

Segundo lembrou Catarina Martins, "o Governo já retirou à economia portuguesa 25.000 milhões de euros", entre cortes nos rendimentos dos trabalhadores, dos pensionistas, aumento de impostos e encerramento de serviços públicos, sendo que esses cortes "não serviram para nada".

O dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã também participou nesta manifestação, que considera ser "um momento importante na resposta ao Orçamento do Estado” para 2014, que constitui “a prova da crueldade económica do Governo” e, “simultaneamente, do seu fracasso”.

O historiador Fernando Rosas destacou que é “muito importante” que “vários movimentos convirjam na resposta ao Orçamento do Estado”, referindo as manifestações promovidas pela CGTP na semana passada no Porto e em Lisboa.