Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo em Lisboa pelo fim ao massacre em Gaza e a favor da paz no Médio Oriente. A marcha convocada pela CGTP, CPPC e MPPM defendeu um cessar-fogo imediato e permanente, em Gaza e na Cisjordânia, entrada da ajuda humanitária sem restrições e a mobilização de recursos para a reconstrução de Gaza, a libertação de todos os detidos, o fim dos 17 anos de cerco a Gaza e a responsabilização de Israel por crimes de guerra e contra a humanidade, além da concretização de um estado palestiniano independente, "com controlo soberano das suas fronteiras e recursos".
A marcha percorreu a distância entre a embaixada dos EUA e a embaixada de Israel. No início foi deixada uma grande tarja no viaduto onde se lia: “EUA cúmplice dos crimes de Israel. Cessar-fogo”. O cortejo incluiu uma bandeira gigante da Palestina, estendida ao longo de cerca de 20 metros e a presença de muitos jovens e estrangeiros, incluindo cidadãos oriundos do mundo árabe e também judeus com a inscrição “não em nosso nome”. “Estados Unidos a vetar, Israel a bombardear”, “contra a violência há sempre resistência”, “hoje e sempre, Palestina independente” foram algumas das palavras de ordem a animar a marcha.
Presente na manifestação, o dirigente bloquista Fabian Figueiredo afirmou aos jornalistas que os cem dias que passam desde o início da guerra em Gaza "são também cem dias de inoperância do Governo português".
"Portugal deve apoiar a queixa apresentada pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça porque Israel está a cometer um genocídio em Gaza", prosseguiu Fabian Figueiredo, referindo as dezenas de países que já se juntaram à África do Sul nesta queixa, entre eles o Brasil ou a Colômbia.
"O que se passa em Gaza é um teatro de horrores, uma mortandade que tem de ser parada. Já morreram mais de vinte mil pessoas, seis mil desaparecidos, na sua larga maioria as vítimas são mulheres e jovens. Nunca uma guerra matou tantos funcionários das Nações Unidas ou tantos jornalistas. Esta guerra tem de ser parada e Portugal tem um papel a desempenhar em nome da paz, insistiu o dirigente bloquista que é candidato às eleições de 10 de março pelo círculo de Lisboa.
A diplomacia portuguesa "diz defender uma solução de dois estados, mas hipocritamente só reconhece o estado de Israel, é preciso que reconheça o estado da Palestina, porque esse é um caminho necessário para chegar a uma solução de paz duradoura no Médio Oriente", acrescentou Fabian Figueiredo. Mas no imediato "é preciso fazer o mesmo que se fez à África do Sul do apartheid: boicotar, desinvestir, sancionar".
"O governo genocida de Netanyahu tem de ser parado e o Governo português não pode continuar a assistir de forma impávida e serena a este massacre, tem obrigação de atuar", concluiu o dirigente do Bloco.