Cerca de 300 trabalhadores da cultura manifestaram-se no fim da tarde de terça-feira em Lisboa, entre o Largo Camões e o cais das Colunas, na praça do Comércio, exigindo que a dotação orçamental do Estado para a Cultura seja de 1% do PIB.
O protesto contou com a participação de 58 entidades, associações e sindicatos do setor, que se juntaram na divulgação do manifesto “Dias da Cultura em Luta”, que tem entre os signatários o Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual – CENA, a Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea – REDE, a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD, a Associação Portuguesa de Realizadores – APR, o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a CGTP.
“A reivindicação de que seja atribuído 1% do PIB para a Cultura não é propriamente uma questão nova”, disse ao Esquerda.net a atriz Luísa Ortigoso, sócia do CENA, recordando que foi levantada pela primeira vez há 35 anos numa reunião de teatros promovida pelo Teatro de Almada. “Como se vê, ainda não chegámos lá, nem de perto nem de longe”, sublinhou a atriz, “mas a luta por esse objetivo faz todo o sentido”.
“Nós já trabalhámos sem ser a recibos verdes”
Quanto aos direitos dos trabalhadores da Cultura, Luísa Ortigoso sublinhou que as reivindicações se referem a direitos que já existiram e foram retirados. “Coisas como a carteira profissional e o estatuto profissional. As pessoas hoje talvez não saibam, mas nós já trabalhámos sem ser a recibos verdes”, ironizou a atriz.
A manifestação, diz, foi animada e participada, apesar de ter sido realizada num dia de semana e numa hora em que muita gente tem ensaios ou outras atividades. Por outro lado, observa Luísa Ortigoso, as pessoas não estão habituadas a sair à rua pelas questões da cultura. “Pensam mais em questões como o desemprego, ou os salários e pensões. Mas lá chegaremos!”, confia.
Pedro Penilo, da Plataforma pela Cultura, disse à Lusa que esta foi a primeira vez que existiu uma ação de rua, pública, de afirmação da cultura, sublinhando o entusiasmo dos cerca de 300 participantes.
Os manifestantes empunhavam faixas e cartazes com palavras de ordem onde se lia "Cultura produz um valor que não tem preço", "1% do PIB [Produto Interno Bruto] para Cultura", e outros em que se exigia uma mudança política para as artes.
Para Penilo, a manifestação representou "uma unidade em torno de um programa político alternativo" à atual política cultural do governo.
No cais das Colunas, além de uma 'performance' que encerrou a manifestação, a organização leu o comunicado da Plataforma.
Esta ação inseriu-se na campanha "Dias da Cultura em Luta", que decorrerá ao longo de junho, com iniciativas em diversas cidades – como espetáculos, intervenções públicas, desfiles e debates –, como Coimbra, Almada e Évora, além de Lisboa.
O manifesto "Dias da Cultura em Luta – Por outra política para a cultura", defende que “as forças da cultura em luta devem dar um sinal forte e claro a favor de outra política para a cultura: pelo direito constitucional à cultura e das obrigações do Estado que ele implica", reiterando a exigência de 1% do PIB para a cultura.