A 2 de fevereiro comemora-se o Dia Internacional das Zonas Húmidas e a associação ambientalista Zero avisa em comunicado que se tem de “garantir água para estes ecossistemas”.
A Zero denuncia um “contexto de enorme apreensão quanto ao evoluir da situação de seca, mas também de preocupação face ao estado de conservação dos habitats naturais e seminaturais relacionados com as zonas húmidas e perante perspetivas de degradação adicional pelo incremento da pressão humana ligada à utilização de territórios”.
Portugal só tem 1,8% do seu território ocupado por zonas húmidas e apenas 31 Sítios foram designados para integrar a Convenção de Ramsar, a Convenção sobre Zonas Húmidas adotada a 2 de fevereiro de 1971 na cidade iraniana de Ramsar. O que perfaz 132.487 hectares, ou seja, 79% do total das zonas húmidas em Portugal.
Estes habitats estão protegidos por legislação, mas a Zero refere que os dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas enviados à Comissão Europeia “mostram que 77% dos habitats relacionados com as zonas húmidas de Portugal e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira se encontram degradados, sendo que das 53 representações de 22 habitats, pelas 5 regiões biogeográficas, 40 estão em estado de conservação desfavorável”.
Para os ambientalistas, estes dados revelam que “conferir uma figura legal de proteção a um determinado local nem sempre significa uma garantia da conservação ou do seu uso sustentável”.
A situação de seca também agrava estes ecossistemas e a intenção de construção de mais barragens com o objetivo de expandir o regadio em mais de 130 mil hectares é um motivo de preocupação. A associação alerta para "os impactes negativos dos aproveitamentos hidráulicos no fluxo de serviços dos ecossistemas proporcionados pelas zonas húmidas e, em particular, pelos cursos de água”.
“O valor ecológico destas massas de água artificializadas é muito diminuto e não compensa a perda de zonas húmidas naturais”, apontam, acrescentando que “em contexto de seca, há que também ter em conta uma adequada gestão dos aquíferos, uma vez que a maior parte das zonas húmidas estão muito dependentes das massas de água subterrâneas”.