Luta dos trabalhadores do Casino da Póvoa é “exemplo para o país”

03 de março 2019 - 21:04

Catarina Martins afirmou que a luta dos 21 trabalhadores despedidos em 2014 do Casino da Póvoa de Varzim pela reintegração nos seus postos de trabalho "é um exemplo para o país" e defendeu "uma alteração profunda da legislação do trabalho".

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Foto de amaianos, Wikimedia.

Catarina Martins participou na tarde deste domingo num almoço de solidariedade, promovido pela estrutura local do Bloco, que reuniu trabalhadores do Casino despedidos em 2014 e que desde então reivindicam, em tribunal, a sua reintegração.

"Tem sido uma luta muito dura, que temos acompanhado e mostrado o maior do respeito, e pela qual somos gratos porque dão um exemplo ao país. Nunca percebi como era possível despedir pessoas por serem delegadas sindicais ou estarem na Comissão de Trabalhadores", assinalou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, com os trabalhadores despedidos do Casino da Póvoa. Foto de Paula Nunes.

No final de 2019, o Tribunal de Trabalho de Barcelos deu razão aos trabalhadores e condenou a empresa que detém a concessão do Casino a reintegrá-los nos postos de trabalho e a pagar as retribuições perdidas. A empresa recorreu, pelo que o desfecho deste processo ainda é incerto.

Para impedir que casos destes se repitam, Catarina Martins defendeu que o Governo tem de avançar para "uma alteração profunda da legislação do trabalho".

"O PS apoia-se no PSD e CDS para travar avanços na legislação laboral. Mas depois de termos conseguido um acordo que travou as medias mais brutais de empobrecimento do país e que recuperou alguns dos rendimentos dos trabalhadores e a sua dignidade, temos de ser mais exigentes para que Portugal avance", sinalizou.

"Portugal continua a ser um país onde os despedimentos são demasiados e baratos"

O deputado bloquista José Soeiro. Foto de Paula Nunes.

Já o deputado José Soeiro elogiou a "resistência demonstrada pelos trabalhadores do Casino da Póvoa” e afirmou que "Portugal continua a ser um país onde os despedimentos são demasiados e baratos".

"Temos conseguido algumas alterações à lei laboral para travar o assédio moral e a humilhação, porque a chantagem de alguns patrões continua a ser abusiva. Não pode haver uma lei cretina que amordace os trabalhadores. Temos de alterar isso e dar mais dignidade ao trabalho", frisou.

"Não pode haver trabalhadores descartáveis, é preciso haver ética”

Victor Pinto, dirigente na estrutura do Bloco na Póvoa de Varzim. Foto de Paula Nunes.

Victor Pinto, dirigente na estrutura do partido na Póvoa de Varzim, assegurou que o Bloco continuará a acompanhar a situação e a apoiar, não só este grupo de trabalhadores, como os que continuam a trabalhar no Casino da Póvoa.

"Não pode haver trabalhadores descartáveis, é preciso haver ética. Muitos dos que foram despedidos acabaram substituídos por outros trabalhadores, mas com vínculos precários, e também esses terão sempre o acompanhamento do Bloco", destacou.

"Esperamos que os juízes do Tribunal da Relação sejam também justos e céleres"

Luís Silva, um dos trabalhadores despedidos do Casino da Póvoa. Foto de Paula Nunes. 

Luís Silva, um dos trabalhadores despedidos do Casino da Póvoa, relatou os tempos de incerteza vividos nos últimos 5 anos, apontando que a recente sentença judicial para a reintegração "deu alento após tempos difíceis".

"Durante 21 anos contribuí para o desenvolvimento da empresa, e depois fui substituído sem justificação e ficando com a vida em suspenso. Valeu o apoio dos amigos, familiares, sindicatos e de alguns partidos. A recente decisão do Tribunal de Barcelos deu-nos força, e esperamos que os juízes do Tribunal da Relação sejam também justos e céleres", contou.